Thiago Teixeira/Estadão
Thiago Teixeira/Estadão

Sem contar com BNDES, empresas captam R$ 440,8 bi no mercado de capitais em 2019

Anbima aponta que, em relação ao mesmo período do ano passado, o volume representa uma alta de 60,6%; fundos de ações são destaques entre os investidores

Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2019 | 12h09

Depois de anos dependendo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), as empresas viraram a chave em 2019 e se lançaram com força no mercado financeiro como alternativa para financiamento de seus projetos de investimento. Nesta quinta-feira, 5, o balanço do ano da Anbima mostrou que as companhias captaram R$ 440,8 bilhões entre janeiro e novembro no mercado de  capitais. Em relação ao mesmo período do ano passado, o volume representa uma alta de 60,6%.

Segundo José Eduardo Laloni, vice-presidente da Anbima, associação que congrega as empresas do mercados de capitais, a cifra de 2019 é a maior da série histórica. As explicações para esse resultados passam desde a redução de crédito público e subsidiado para a empresas, o que levou os empreendimentos a buscarem funding no setor privado, até a redução dos juros básico da economia, a Selic, que tem empurrados os investidores de renda fixa para outros produtos, com destaque para o mercado de dívida.

A renda variável foi destaque em 2019, com R$ 78,3 bilhões em captações realizadas por meio de emissões secundárias de ações e lançamentos (IPOs, na sigla em inglês), contra R$ 11,3 bilhões nos mesmos 11 meses, só que do ano passado. Laloni lembrou que este é o maior volume registrado nos últimos anos, superando inclusive o ano de 2007 (R$ 75,5 bilhões) "Passamos esse valor e ainda temos três semanas para termos boas notícias, com quatro ofertas em andamento ou a caminho que podem levar 2019 para um número ainda maior", observou.

O executivo citou ainda que as iniciativas do governo de desestatização e desinvestimentos influenciaram esse número, concentrando a maior parte das ofertas secundárias de ações, as quais somaram R$ 48,9 bilhões até novembro, contra R$ 6,5 bilhões no mesmo intervalo de 2018.

Na renda fixa, as debêntures somaram R$ 153,5 bilhões, um aumento de 12% em relação a janeiro e novembro do ano passado.

Fundos

A indústria de fundos, por sua vez, registrou captação líquida de R$ 228,1 bilhões de janeiro a novembro de 2019, um aumento significante em relação ao mesmo período de 2018, quando a indústria captou R$ 69,1 bilhões. O acumulado deste ano já encosta no recorde de 2017, quando captou R$ 245,7 bilhões.

Os fundos de ações chegaram a uma captação líquida de R$ 67,5 bilhões, quase três vezes ante o mesmo intervalo de 2018. Eles se destacaram como a classe que mais atraiu recursos até novembro. Já os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) vêm em segundo, mas o dado é distorcido por uma única operação. A categoria somou R$ 59,7 bilhões, na comparação com R$ 6,5 bilhões no acumulado de janeiro a novembro de 2018.

Os fundos multimercado vêm em terceiro lugar entre os que mais captaram, com a categoria registrando R$ 57,4 bilhões, 47% acima de 2018. Os fundos de renda fixa captaram R$ 31,6 bilhões, 62% acima de janeiro a novembro do ano passado. 

Em termos de rentabilidade, os fundos de ações de small caps, como são chamadas as ações da companhias com baixo giro de negócios, registraram a maior rentabilidade do ano, atingindo 35,5% no acumulado de janeiro a novembro. Como comparação, o Ibovespa, cesta com as ações mais negociadas da Bolsa, acumula valoriação de 25,81% neste ano. 

De acordo com o vice-presidente da Anbima, Carlos André, a continuidade de fechamento da curva de juro contribuiu para a renda fixa, em especial para as curvas mais longas.

 

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