Arquivo/Agência Brasil
Arquivo/Agência Brasil

Sem crédito e com insumos caros, 41% das pequenas indústrias de SP estão pessimistas com fim do ano

Seis entre dez pequenos e médios industriais relatam que terão dificuldade de pagar o 13º salário dos funcionários neste ano; quase um quarto dos empresários afirma que terão muita dificuldade de cumprir com o pagamento

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2020 | 18h02

RIO - Quatro em cada dez micro e pequenas indústrias (41%) no Estado de São Paulo estão pessimistas com o desempenho dos negócios neste fim de ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Apenas 24% estão otimistas, segundo dados do 15º Boletim de Tendências das Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo.

Ainda às voltas com os impactos da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, um quinto (21%) das empresas ainda se diz em situação financeira ruim ou péssima. De forma geral, 37% têm capital de giro insuficiente para manter os negócios, 45% das empresas ainda relatam algum tipo de paralisação de suas atividades mesmo que parcial, e 31% operam hoje com menos funcionários do que no início da pandemia. A coleta de dados para a pesquisa ocorreu entre os dias 10 a 17 de novembro de 2020.

O estudo foi encomendado pelo Sindicato de Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo (Simpi) ao Datafolha.

Para Joseph Couri, presidente do Simpi, a pequena indústria tem sido afetada pela falta de acesso das empresas a linhas de crédito, pela elevação dos custos de insumos e pela redução do poder aquisitivo da população, via aumento do desemprego e diminuição do auxílio emergencial.

“Apenas 14% das empresas têm acesso a crédito, 80% não têm. O crédito não está chegando à ponta, e 24% das empresas estão usando cheque especial como capital de giro. Isso é insustentável”, ressaltou Couri.

Os dados mostram que os problemas no acesso a matérias-primas vêm se agravando desde setembro: 90% dos industriais se queixaram da alta de preços, mas também há relatos de escassez de insumos, mencionada por 77% deles, atraso na entrega (citado por 71%) e baixa qualidade (34%). Em todos os casos houve piora em relação ao mês anterior.

A pesquisa registrou aumento também nos relatos sobre fornecedores que faliram ou entraram em recuperação judicial desde o início da pandemia: 37% das empresas perderam algum fornecedor por este motivo, ante uma fatia de 28% na pesquisa feita em setembro.

Ao mesmo tempo, avançou para 38% a parcela de micro e pequenas indústrias com algum cliente empresarial que deixou de comprar porque faliu ou entrou em recuperação judicial, segundo maior patamar de relatos sobre clientes perdidos desde que começou o levantamento, no mês de abril. “Houve uma quebra na cadeia produtiva”, disse Couri.

Seis entre dez pequenos e médios industriais (59%) relatam que terão dificuldade de pagar o 13º salário dos funcionários neste ano. Quase um quarto dos empresários (23%) afirma que terão muita dificuldade de cumprir com o pagamento.

Para 40% dos entrevistados, a situação financeira para quitar o compromisso com o trabalhador está pior neste ano do que no ano passado, e 27% das empresas reconhecem que podem atrasar o pagamento do 13º salário dos funcionários.

“A evolução de setembro para cá mostra um quadro extremamente grave e um aprofundamento da crise. As empresas têm clientes, mas não têm como atender, não têm insumos, não têm matérias-primas. Ninguém está contratando. O treinamento de mão de obra qualificada foi deteriorado por causa desse quadro de crise. As medidas do governo não chegaram na ponta. Sem crédito, sem política voltada para o mercado interno, para a volta do emprego e do poder aquisitivo, essa crise será muito pior nos próximos meses”, alertou o presidente do Simpi.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.