Geraldo Magela/Agência Senado
Geraldo Magela/Agência Senado

Sem dados que viriam do BC, IBGE não divulga taxa de poupança para o primeiro trimestre

Órgão afirmou que falta de dados do Banco Central inviabilizou divulgação

Daniela Amorim e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2022 | 14h51

RIO - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta quinta-feira, 2, que não divulgará os resultados da taxa de poupança para o primeiro trimestre de 2022 por conta da ausência de informações que deveriam ter sido divulgados pelo Banco Central - servidores da autarquia estão em greve desde o início de abril. Além da taxa de poupança, a falta de dados também inviabilizou a divulgação da capacidade ou necessidade de financiamento do País.

"As Contas Econômicas Integradas e a Conta Financeira não serão divulgadas no primeiro trimestre de 2022. O Balanço de Pagamentos, que é uma das fontes principais para sua elaboração, não foi publicado pelo Banco Central do Brasil com dados relativos ao mês de março até o fechamento desta divulgação. A taxa de poupança é calculada a partir das Contas Econômicas Integradas e, por consequência, também não está sendo divulgada nesta edição", alertou o IBGE, em nota.

Segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, o BC deixou de divulgar estatísticas primárias para fazer as Contas Nacionais.

"O balanço de pagamentos é fonte fundamental pra gente construir a conta econômica integrada e a conta financeira. Então a gente não vai divulgar, porque essas duas contas são muito focadas com dados em balanço de pagamentos", reforçou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. "Provavelmente, eles normalizando (a divulgação em atraso), a gente volta normalmente a divulgar essas contas também", afirmou Palis, durante a entrevista sobre o PIB.

Greve no Banco Central

Os servidores do BC iniciaram uma greve no dia 1º de abril, com uma trégua entre 20 de abril e 2 de maio. Diversas divulgações da autoridade monetária já foram afetadas, entre elas a do Boletim Focus, que trazia semanalmente as projeções de analistas do mercado financeiro para as principais variáveis da economia.

Em assembleia da categoria realizada esta semana, os servidores decidiram manter a paralisação por tempo indeterminado.

Os grevistas demandam a reestruturação da carreira junto com a recomposição salarial do período do atual governo. Os servidores reivindicam 27% de reajuste.

No último dia 31, o Sindicato Nacional dos Funcionários do BC (Sinal) disse que a greve pode afetar os preparativos da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decide os rumos da taxa básica de juros, a Selic.

O Banco Central já afirmou mais de uma vez que o Copom é atividade essencial e não será afetado pela greve, assim como o Relatório Trimestral de Inflação (RTI). O Copom está agendado para os dias 14 e 15 de junho e o RTI será na semana seguinte, no dia 23.

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