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Sem demanda firme, os estoques crescem

Os estoques de mercadorias nas lojas aumentaram, neste mês, na região metropolitana de São Paulo, segundo a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP). Foi o que constatou levantamento feito com 600 empresários do comércio. Entre junho e julho, o Índice de Estoques caiu 4,5% e chegou a 109,1 pontos. Em relação a julho do ano passado, a queda foi de 14% - notando-se que quanto menor o número de pontos maiores são os estoques.

O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2014 | 02h03

Os consumidores têm adiado as compras, quando podem. O que mais os preocupa não é o risco de insolvência iminente, mas a insegurança quanto à situação da economia e em que medida isso repercutirá sobre o nível de emprego e de renda.

Outra pesquisa divulgada nesta semana, feita pela Serasa Experian, mostrou uma leve queda na inadimplência, de 1,1% entre os primeiros semestres de 2013 e 2014. É a incerteza quanto ao futuro econômico que parece predominar, na medida em que até a pesquisa feita pelo Banco Central com as principais consultorias econômicas do País (Focus) começa a apontar para o risco de uma estagflação - ou seja, a combinação de crescimento fraco (inferior a 1%) e inflação renitente, muito próxima dos 6,5% ao ano e muito acima do centro da meta de 4,5% ao ano.

Estoques exagerados representam um prejuízo tão grave para os comerciantes que eles estão antecipando as liquidações, como se pôde notar no último fim de semana em shopping centers da capital. O clima seco e as temperaturas mais elevadas do que as usuais em pleno inverno também estimularam as lojas a liquidar estoques.

O descompasso entre o ritmo de vendas da indústria, em quase recessão, e as vendas do comércio, em ritmo declinante, já não se verifica com a intensidade ocorrida no ano passado. Ou seja, é fraca a demanda na indústria e começa a ser fraca a demanda no comércio, em razão da exaustão das políticas de estímulo ao consumo.

Mesmo a leve queda nos preços dos alimentos, nas últimas semanas, que liberou recursos para o consumo de outros produtos, não parece ter surtido efeito, até agora.

E até o governo parece considerar a hipótese de que o PIB apresente resultado negativo no segundo e no terceiro trimestre do ano. É certo que, no geral, a retração do consumidor fará piorar o comportamento do PIB. Mas também se entende a retração do trabalhador, sem a certeza de que manterá emprego e renda.

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