Sem dinheiro, emprego ou confiança, como consumir?

Raros levantamentos mostram com tanta crueza a situação financeira dos consumidores como a Pesquisa Pulso Brasil Fiesp/Ciesp realizada na segunda quinzena de julho pela empresa Ipsos. Por falta de dinheiro, porque os preços subiram muito, porque o desemprego atingiu a família ou porque já não é possível pagar as dívidas, as 1.200 pessoas consultadas revelaram menos disposição de consumir neste semestre. E como os indicadores econômicos se deterioraram no último bimestre, se a pesquisa fosse feita agora os resultados poderiam ser ainda piores.

O Estado de S. Paulo

11 de outubro de 2015 | 03h00

Levantamento semelhante havia sido feito nos anos anteriores. Comparando os primeiros semestres de 2014 e 2015, os resultados foram semelhantes no tocante à aquisição de produtos da linha branca (como geladeiras e máquinas de lavar roupa), móveis, informática, automóveis ou eletrônicos. As maiores diferenças estiveram na redução (de 7% para 4% dos consultados) dos que adquiriram produtos da linha marrom (como TVs, DVDs e aparelhos de imagem) e no aumento de 7% para 10% dos que adquiriram telefones celulares. Quase um terço dos entrevistados gostaria de ter adquirido um desses itens, mas não pôde fazê-lo.

Entre os motivos, 32% não tinham dinheiro suficiente e 28% acharam os preços muito altos (em 2014, esses porcentuais foram de 29% e de 24%).

Nada menos de 43% dos entrevistados dizem que as condições financeiras estão piores (35%) ou muito piores (8%), enquanto 46% consideram que são iguais às de idêntico período de 2014 (esse porcentual era de 62% no segundo semestre de 2014). E nada menos de 77% das pessoas ouvidas não pretendem adquirir nenhum dos itens indicados.

Dos que desistiriam de comprar, 28% indicaram como motivo a alta de preços em geral e 26% a perda do emprego. Há uma evidente intolerância com a inflação, pois muitos admitiram que não comprariam um determinado bem em caso de aumento de preço.

A inflação de 7,64% neste ano e de 9,49% em 12 meses, até setembro, provoca desajustes dramáticos na vida dos trabalhadores, impondo padrões de austeridade imprevisíveis há apenas um ano, quando o governo ainda tentava estimular o consumo. E como a inflação não dá sinais de trégua - a expectativa é de novas altas nos preços de alimentos, além dos reajustes já ocorridos em derivados de petróleo -, as perspectivas para o consumo de bens duráveis até dezembro são muito ruins.

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