Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Sem dinheiro, Schahin paralisa a operação de 5 sondas da Petrobrás

Empresa não conseguiu recursos para financiar US$ 120 milhões que precisaria para continuar operando e caminha para uma recuperação judicial: dívida total da empresa é de US$ 4,5 bilhões e a Petrobrás é a maior credora

JOSETTE GOULART, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2015 | 02h04

Sem caixa, a Schahin Óleo e Gás comunicou à Petrobrás na última quinta-feira a paralisação de cinco unidades de perfuração, entre navios sondas e plataformas, que operavam para a estatal. A empresa precisaria de cerca de US$ 120 milhões para continuar operando, mas não conseguiu o financiamento que vinha tentando negociar nas últimas semanas.

A situação financeira da Schahin vai ficando cada dia mais delicada e a empresa caminha para um pedido de recuperação judicial. Fontes próximas à empresa entendem que o pedido à Justiça não deve passar da próxima semana.

A empresa de óleo e gás tem cerca de US$ 4,5 bilhões em dívidas. Tem neste ano um descasamento de US$ 1 bilhão entre o que precisa pagar de financiamento e suas receitas.

Das cinco unidades que vão ser paralisadas, estão os navios sondas Lancer, Serrado e Sertão, alguns com capacidade de perfuração de mais de 11 mil metros de profundidade, e as plataformas Amazônia e Pantanal. A Petrobrás não soube informar ontem qual o impacto para os seus negócios, mas segundo algumas fontes, os navios e as plataformas eram apenas de pesquisa e perfuração, sem que jorrasse petróleo por elas. Sendo assim, a produção atual da estatal pode ser preservada.

Fontes ligadas à Schahin dizem que o caixa da empresa acaba na semana que vem, mas a paralisação foi comunicada à Petrobrás com antecedência para que as unidades pudessem ser trazidas com segurança à terra. Em nota, a estatal informou que com a Schahin está planejando a paralisação das atividades de forma segura. "A Petrobrás está avaliando as medidas contratuais cabíveis", disse a empresa. Já o grupo Schahin informou por meio da assessoria que não iria se manifestar.

Recuperação. Ao protocolar o pedido de recuperação judicial na Justiça, a Schahin poderá se tornar uma das maiores empresas em recuperação judicial no País, ultrapassando até mesmo a OGX, petroleira do empresário Eike Batista que na época da recuperação tinha R$ 13 bilhões em dívidas. A Schahin, a depender da cotação do dólar, poderá ultrapassar esse valor. Além disso, outras empresas do grupo como as áreas de engenharia e construção imobiliária podem ajudar a elevar o valor da dívida.

A situação da Schahin se complicou depois que o mercado de crédito se fechou para o setor com a Operação Lava Jato. A empresa foi citada nas investigações, mas não estava na lista das 23 empresas que tiveram futuros negócios suspensos com a Petrobrás por suspeita de cartel. A empresa, no entanto, entrou na lista no mês passado.

Credores. Em janeiro, o Deutsche Bank entrou com um processo de execução na Justiça para cobrar uma conta de R$ 41 milhões. A Justiça ordenou o pagamento, que segundo o banco não foi feito. Na semana passada, a instituição pediu a penhora de R$ 51 milhões das contas da Schahin.

De acordo com documento anexado ao processo do Deutsche na Justiça, a Petrobrás é uma das maiores credoras da Schahin em um leasing de US$ 765 milhões. O documento foi elaborado por uma consultoria financeira chamada Valuation, a pedido da própria Schahin para analisar a situação financeira da empresa.

A lista de credores feita pela Valuation mostra ainda que US$ 750 milhões estão nas mãos de investidores que compraram bônus da companhia no exterior e US$ 2,2 bilhões distribuídos em bancos asiáticos (Coreia, Singapura e Japão). Outros empréstimos menores foram concedidos por bancos estrangeiros como Citibank, Santander, HSBC, o próprio Deutsche, entre outros.

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