Sem estímulo, PIB cairia 1,5% em 2009, afirma Mantega

Ministro diz que retomada do crescimento do PIB só foi possível por causa das ações fiscais do Governo

Fabio Graner e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

15 de setembro de 2009 | 10h59

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira, 15, que o programa fiscal do governo de estímulo à economia em 2009, para enfrentamento da crise, somou 1,2% do PIB. Segundo ele, o impacto das ações fiscais sobre a economia é da ordem de 2,5% do PIB. "Ou seja, o PIB seria 2,5% menor neste ano se não tivéssemos tomado essas medidas. O PIB brasileiro cairia em 2009 1,5%, em vez de crescer 1%", disse. O crescimento de 1% é a projeção oficial do governo para o PIB de 2009.

 

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Mantega listou as medidas fiscais tomadas este ano, destacando que as desonerações tributárias somaram R$ 13,6 bilhões, o equivalente a 0,4% do PIB. O aumento nos gastos fiscais foi de R$ 17,4 bilhões, o que corresponde a 0,6% do PIB. E os subsídios novos somaram 0,2% do PIB.

 

O ministro explicou ainda que o governo, diferentemente de outras crises, pôde fazer uma política fiscal anticíclica porque estava com a economia menos vulnerável. Ele lembrou que, desta vez, a crise levou à uma queda na dívida pública, enquanto, antigamente, ela provocava uma elevação no endividamento.

 

Mantega disse também que a economia brasileira ainda vai sentir os efeitos do programa Minha Casa, Minha Vida, já que as habitações ainda não começaram a ser construídas.

 

Para o ministro, Brasil passou por crise com propriedade

 

Mantega afirmou que o Brasil passou pela crise econômica internacional com "bastante propriedade" e que se conduziu durante esse período "com eficiência". No aniversário de um ano da quebra do banco Lehman Brothers, que marcou o início da mais grave crise das últimas décadas, Mantega afirmou que hoje é um dia de comemoração pela forma como o Brasil atravessou esse período.

 

Segundo o ministro, o País enfrentou a crise como nunca antes e está sendo um dos primeiros países a sair dela. "E saímos da crise com a cabeça erguida, fortalecido, diferentemente de outras vezes, em que o Brasil saiu destroçado", afirmou Mantega, que elogiou os representantes da sociedade civil presentes na reunião de hoje do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) e os que também participam do grupo de acompanhamento da crise. Mantega elogiou ainda os demais integrantes da equipe econômica.

 

Brasil não entrou em pânico por causa da quebra de bancos, diz Mantega

 

O ministro da Fazenda disse que ao contrário do resto do mundo, no Brasil, o governo não entrou em pânico por causa da quebra de grandes bancos. "Os países entraram em pânico porque o espetáculo de grandes bancos quebrando era inédito. Alguns não quebraram porque foram salvos pelos governos. Isso causou uma reação rápida. Aqui, nós não entramos em pânico, não tivemos o medo que estava lá fora, porque a nossa situação era boa", afirmou o ministro, em discurso na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) para avaliar um ano de crise financeira internacional.

 

Mantega parabenizou toda a equipe econômica do governo pelo sucesso que o Brasil está conquistando e que tem reconhecimento internacional. Ele lembrou que o País vinha crescendo a um ritmo de 7% ao ano quando houve a quebra do Lehman Brothers, exatamente há um ano, o que reduziu o crédito e derrubou as economias. O ministro destacou que o Brasil teve apenas dois trimestres de PIB negativo, enquanto alguns países tiveram vários trimestres seguidos de retração. "Passamos para o azul", afirmou.

 

Para Mantega, o Brasil foi o primeiro a sair da crise porque o governo estimulou a economia. Ele lembrou que o País tinha um crescimento elevado, combinado com fundamentos macroeconômicos sólidos. O ministrou lembrou ainda que antes tinha-se de "pagar a conta" após a superação da crise porque, para enfrentá-las, o governo aumentava a dívida, o déficit (fiscal) e também precisava consertar a inflação.

 

"Agora temos um ciclo no qual a economia cresce equilibrada. A economia não produz inflação, não produz dívida externa. Terminamos um ciclo e estamos prontos para começar um novo ciclo", afirmou.

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