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Sem estratégia não dá para ir para a Bolsa

Investir somente buscando maior retorno não é adequado e pode levar a grandes perdas

Fábio Gallo, O Estado de S. Paulo

11 de novembro de 2019 | 05h00

Qual o impacto da frustração do megaleilão do Pré-sal no dólar e na Bolsa para este ano? Devo me preocupar?

Como qualquer outro investimento de alto risco, esses ativos irão reagir negativamente com a frustração do megaleilão do pré-sal. No primeiro momento, o dólar subiu e a Bolsa caiu. Isso ocorre porque havia alta expectativa de que somente no primeiro leilão fosse arrecadado mais de R$ 100 bilhões e o resultado foi baixo de R$ 70 bilhões. Os especialistas na área dizem que esse resultado é normal, mas o fato é que além da menor arrecadação, não houve ágio as grandes petroleiras internacionais não fizeram oferta. A reação negativa do mercado ocorreu porque o governo não foi capaz de organizar um pregão com regras claras que permitisse a participação dos grandes concorrentes internacionais. Essas empresas não entram em contratos desse porte sem conhecerem todos os riscos da operação. E isso não estava claro. A despeito da reação negativa no primeiro momento, a Bolsa e o dólar seguiram sendo afetado por diversas outras variáveis. Esses ativos de risco sofrem por diferentes fatores, no mercado interno por conta das decisões do STF, incertezas sobre as reformas, no campo externo a guerra comercial... Sempre que houver aumento da perspectiva de risco a reação é negativa. Bem claro que não são ativos que necessariamente reagem na mesma direção. Eventos como esse mostram para os investidores que organização de uma carteira diversificada é algo essencial. Investir somente buscando maior retorno não é adequado e pode levar a grandes perdas. O mais correto é buscar uma relação equilibrada entre o que está estabelecido em seu planejamento financeiro.

O governo está incentivando a emissão de CRAs e LCAs como forma do agronegócio ter mais recursos para financiamento da safra. No entanto, ainda é difícil encontrar esses produtos no mercado. Qual o risco desses títulos e porque ainda é tão difícil encontrar esses produtos?

O risco desses títulos é baixo e a dificuldade de encontrá-los está no fato de que os bancos não oferecem para os todos os clientes, costumam ser oferecidos apenas aos clientes endinheirados do private banking. No entanto, buscando na internet encontramos instituições que oferecem esses papéis para investidores de pequeno porte. Embora os bancos tenham o título disponível para aplicação, usualmente, o valor inicial é muito alto para esse investimento. Para melhor entendimento, Letra de Crédito Imobiliário (LCA) e Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) são títulos de renda fixa. Os LCAs são vinculados a direitos creditórios originários de negócios realizados entre produtores rurais (ou cooperativas) e terceiros, inclusive financiamentos ou empréstimos, sendo de emissão exclusiva de instituições financeiras. O CRA tem emissão exclusiva das companhias securitizadoras. Esses títulos são similares das LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e CRI (Certificado de Recebíveis do Agronegócio). É por isso que a LCI é conhecida no mercado como CDB imobiliário enquanto a LCA pode ser vendida por aí como um CDB agrícola. Todos esses papéis não têm tarifas, taxa de administração e custódia. São isentos de imposto de renda para as pessoas físicas. Uma diferença entre esses títulos é que as LCAs e LCIs são garantidos até R$250 mil, por CPF, pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), enquanto os CRAs e CRIs não têm essa garantia porque sua emissão ocorre por empresas securitizadoras. 

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