Sem euro e com frio, europeu já faz fila no sopão

Crise está fazendo com que população da Europa apele para refeições gratuitas e abandone até animais de estimação

LONDRES, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2011 | 03h07

Enquanto nas ruas há protestos contra as medidas de austeridade, dentro de casa os europeus sentem as consequências da crise e da falta de dinheiro. Alguns lutam para manter o aquecimento no inverno que se aproxima, outros apelam para as refeições gratuitas em abrigos e se livram dos animais de estimação. A crise da dívida que atinge a zona do euro tem levado governos a cortar gastos, incluindo programas sociais, e aumentar os impostos.

O desemprego aumenta, e muitos europeus se programam para um futuro ainda pior. Não são só os pobres que sentem a dor da crise na Europa.

Mesmo na rica Alemanha, a crise levou ao renascimento do "sopão", de acordo com o autor de um livro sobre pobreza. "Há cerca de 700 sopões em todo o país, onde pobres podem ir para ter uma refeição quente e gratuita", disse Ulrich Schneider. "Os sopões praticamente não existiam na Alemanha há uma década. Agora, eles recebem cerca de 1 milhão de pessoas por dia."

Um prefeito na Romênia Florin Cazacu fez uma greve de fome de seis dias na semana passada por causa dos cortes nos subsídios para o aquecimento, o que significava que a sua cidade, Brad, poderia não conseguir arcar com o serviço. Dez mil moradores, instituições públicas e de saúde poderiam ter pela frente um inverno duro.

"Minha greve de fome foi uma solução extrema, um grito de socorro de um prefeito pela comunidade", disse Cazacu à Reuters ontem. Ele suspendeu a greve no sábado depois que o governo central concordou em pagar uma quantia que vai cobrir, segundo o prefeito, apenas de 15 a 20 dias de aquecimento na cidade.

"Vai ser preciso que o governo distribua óleo das suas reservas para cobrir as necessidades do inverno inteiro", afirmou o prefeito.

O governo da Romênia, o segundo mais pobre Estado-membro da União Europeia (UE), e país onde o salário médio é menor que 400 euros, cortou salários e aumentou impostos para conter o déficit orçamentário.

Na Grécia, os fornos de lenha, símbolo de pobreza no passado, estão voltando. O preço do aquecimento disparou depois que o governo de Atenas aumentou os impostos sobre energia também para conter os seus déficits.

"Os negócios dobraram", afirmou Costas Mitsionis, vendedor desse tipo de forno. Ele é um dos raros rostos alegres num mercado em Atenas. "Todos querem comprar, pobres e ricos."

Sem animal. Na Grã-Bretanha, país que não é parte da zona do euro e sobre o qual se costuma brincar que as pessoas gostam mais dos seus animais de estimação do que umas das outras, mesmo os amados bichos têm que ser retirados do orçamento doméstico.

O abrigo de cães e gatos de Battersea, na capital britânica Londres, registrou neste mês um aumento do número de pessoas que estão desistindo dos seus animais. "Perdi o meu emprego há quatro meses, e agora estou preocupado porque posso perder a minha casa. Shady é o meu melhor amigo, e eu o tenho há dois anos, mas não posso sustentá-lo mais", disse Aaron LeBlanc, dono do cão Shady./ REUTERS

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