Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Mesmo com alívio externo, dólar fecha acima de R$ 4; semana para o Ibovespa termina com queda

Investidores também aproveitaram a calmaria lá fora para ajustar posições à espera da divulgação, na próxima semana, das atas dos encontros mais recentes de política monetária do Banco Central Europeu e do Federal Reserve

Altamiro Silva Junior, Paula Dias, Denise Abarca e Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2019 | 11h58
Atualizado 16 de agosto de 2019 | 18h29

A volta do apetite por ativos de risco deu o tom aos negócios nos mercados internacionais nesta sexta-feira, 16. Na ausência de nova troca de farpas entre China e Estados Unidos, a informação extraoficial de que o governo da Alemanha pode adotar um pacote de estímulos diminuiu os receios de uma recessão global e, por tabela, abriu espaço para reação das bolsas europeias e americanas, que fecharam com altas superiores a 1%. 

Investidores também aproveitaram a calmaria lá fora para ajustar posições à espera da divulgação, na próxima semana, das atas dos encontros mais recentes de política monetária do Banco Central Europeu e do Federal Reserve, além do início do simpósio anual do BC americano em Jackson Hole - eventos que podem ratificar a perspectiva de mais relaxamento monetário nas economias centrais.

Bolsa 

Alinhado ao sinal positivo dos índices em Nova York, o Ibovespa trabalhou em alta durante a tarde, mas sem forças para tocar os 100 mil pontos, como fez na máxima pela manhã. Com ganhos de papéis de bancos e varejistas, o principal índice da B3 encerrou o dia com avanço de 0,76%, aos 99.805,78 pontos (queda de 4,03% na semana). Operadores atribuíram tanto o fôlego curto do Ibovespa quanto as perdas moderadas do real nesta sexta-feira à cautela diante da agenda carregada da próxima semana e à possibilidade de novos capítulos da guerra comercial entre EUA e China. 

A alta do dia apenas amenizou as fortes perdas do Ibovespa na semana, que somaram 4,03%. Nos últimos cinco pregões, as oscilações foram comandadas essencialmente pelo noticiário internacional, com escassa influência dos cenários político e corporativo no Brasil. Guerra comercial entre Estados Unidos e China, protestos em Hong Kong, dados econômicos fracos na Europa e crise na Argentina foram os ingredientes que geraram forte aversão ao risco nos mercados globais, com forte penalização das bolsas em geral.

Dólar 

O dólar registrou a quinta semana consecutiva de valorização no Brasil, influenciado pelo aumento do temor de piora da economia mundial e, nos últimos dias, pela crise na Argentina. A moeda americana acumulou alta de 1,59% aqui e de 20% no país vizinho, em uma semana que notícias boas da economia doméstica foram ofuscadas pelos eventos externos. O dólar à vista fechou a sexta-feira em R$ 4,0031, com alta de 0,33%.

Mesmo com o estresse dos últimos dias, que levou o dólar para o nível de R$ 4,00 pela primeira vez desde maio, especialistas em moedas avaliam que a volatilidade e o nervosismo devem prosseguir, mantendo o câmbio pressionado aqui e em outros emergentes. A situação na Argentina não deve melhorar no curto prazo, na medida em que o mercado não mais acredita nas chances de vitória do atual presidente, Mauricio Macro, ressalta o diretor de um banco. Com isso, os agentes tiveram que reprecificar a volta de políticas mais populistas e maior intervenção do Estado. A falta de dólares, lá, acabou pressionando o mercado o mercado à vista aqui, ressalta este executivo.

Em dia de desempenho misto da moeda americana em relação a emergentes, o dólar chegou até a cair no mercado doméstico pela manhã, mas ganhou força e terminou fechando em R$ 4,0031, em alta de 0,33%. Com valorização acumulada de 1,59% nos últimos cinco pregões, o dólar marcou a quinta semana consecutiva de valorização ante o real. 

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