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Sem fôlego e pressionada, OAS caminha para recuperação judicial

Segundo analistas, a própria empresa estaria considerando esta alternativa para melhorar o perfil de sua dívida

Aline Bronzati, Fernanda Guimarães e Luciana Collet, O Estado de S. Paulo

12 de janeiro de 2015 | 03h00

Após não receberem o pagamento de juros dos bônus da construtora OAS, credores externos se organizam para criar um comitê e terem mais força na negociação com a companhia, alvo das investigações da Operação Lava Jato. À medida que espira o prazo para um acordo, o risco de a empresa entrar em recuperação judicial começa a ser “altamente provável” por bancos, investidores e advogados ouvidos pelo Broadcast.

A OAS, uma das pontas mais fracas entre empresas atingidas por denúncia de cartel e corrupção em obras da Petrobrás, já apresentava alta alavancagem e pode ter aproveitado, segundo fontes, o momento para tentar a reestruturação das dívidas, que somam R$ 7,7 bilhões. Executivos de bancos já consideram, nos bastidores, que a OAS prefere a recuperação judicial.

No mercado local, a empresa já é tida como inadimplente, após não ter honrado o pagamento de uma debênture no montante de R$ 100 milhões. No mercado externo ainda tem 30 dias de carência, a contar de 02 de janeiro, para pagar os juros dos bônus e evitar um “default”. O próximo vencimento será em 19 de abril, referente a uma emissão de US$ 875 milhões, com prazo final em 2019.

Em conversas com credores ao longo desta semana, a empreiteira prometeu apresentar um acordo de renegociação de suas dívidas em até 60 dias. O prazo, porém, é considerado curto, de acordo com investidores e gestores de renda fixa, para que o grupo consiga se desfazer de ativos, como a participação que detém na Invepar. “Vai ser um desafio. O tempo é curto. O principal ponto é a OAS conseguir evitar que os credores acelerem sua dívida. Se isso acontecer, não terá alternativas senão a proteção judicial”, diz um gestor de renda fixa.

O advogado especialista em recuperação judicial Miguel Neto explica que a empresa, para pedir recuperação, precisa mostrar que tem problema de fluxo de caixa, mas que sua continuidade é possível e benéfica para empregados e credores. O especialista diz ainda que, caso o pedido seja aceito, a companhia terá prazo para apresentar um plano de recuperação, que deverá ser aprovado por todos os credores. “Acredito que a OAS pode ser forçada a entrar em recuperação judicial caso tentem (fornecedores ou credores) decretar sua falência”, diz um credor. Questionada sobre a possível recuperação judicial, a OAS reiterou que, “em função das dificuldades de acesso ao mercado de crédito, está em discussões com alguns de seus principais credores de forma a possibilitar uma reestruturação financeira organizada” e que “pretende apresentar um plano de reestruturação financeira a todos seus credores até fevereiro”

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