Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Sem ganho de produtividade, não é possível apoiar salários mais altos, diz Levy

A investidores britânicos, ministro da Fazenda disse que a sociedade brasileira já teria entendido que os salários só podem subir com alguma contrapartida

Fernando Nakagawa, correspondente, O Estado de S. Paulo

13 Maio 2015 | 11h54

LONDRES - O Brasil não pode continuar oferecendo reajuste de salários sem aumento da produtividade. A defesa foi feita pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante evento na capital britânica. "Sem um forte ganho de produtividade, não podemos apoiar salários mais altos", disse durante abertura do "Brazil Capital Market Day", nesta quarta-feira, 13. "Isso é claramente entendido no Brasil", completou.

A uma plateia de investidores e analistas britânicos, Levy disse que a sociedade brasileira já teria entendido que os salários só podem subir com alguma contrapartida. "É útil que você tem mais a percepção entre os formadores de opinião, empregadores e população em geral de que o ganho em produtividade é essencial para manter os salários crescendo", disse. Levy disse que o tema salários versus produtividade está na agenda do governo. "É uma coisa em que nós estamos trabalhando em muitas das nossas medidas."

A defesa de Levy tem semelhanças com a opinião do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. Escolhido pelo tucano Aécio Neves como ministro da Fazenda em caso de vitória do PSDB nas eleições presidenciais de 2014, Fraga causou polêmica quando disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que era preciso ter melhor correlação entre o aumento do salário e a produtividade

"Mesmo as grandes lideranças sindicais reconhecem que, não apenas o salário mínimo, mas o salário em geral, precisa guardar alguma proporção com a produtividade, sob pena de, em algum momento, engessar o mercado de trabalho", disse Fraga em abril do ano passado antes da campanha eleitoral. 

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