Sem incentivo, preço de carro começa a subir

FGV mostra que inflação de 12 meses até abril nos preços dos carros zero é de 2,7%; em 2009, preços tiveram recuo de 4,63%

Alessandra Saraiva / RIO, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2010 | 00h00

Com a retirada da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), os preços dos carros novos já começam a subir no varejo. O fim da isenção fiscal coincidiu também com o período de elevação de custos por causa do aumento do preço do aço, um dos principais insumos na fabricação de veículos.

Levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que a inflação em 12 meses até abril nos preços de automóveis novos no varejo é de 2,7%, a mais alta em 17 meses. Ainda assim, os reajustes estão abaixo da inflação do período, de 5,26% (IPCA) e 5,05% (IPC-Fipe).

Para o economista da FGV André Braz, a inflação do carro novo deve encerrar este ano em alta, bem diferente do ano passado, quando os preços tiveram deflação de 4,63%. "Esse aumento súbito de preços foi basicamente causado pela retirada da isenção fiscal do IPI", diz Braz. O benefício do corte foi mantido entre dezembro de 2008 e março deste ano para vários modelos.

De acordo com Braz, é possível perceber o impacto do fim da isenção fiscal ao se analisar os dados do ano passado. O levantamento da FGV mostra que os carros novos apresentaram deflação no varejo em 2009, no acumulado em 12 meses. O ponto mais baixo na curva de preços ocorreu em agosto do ano passado, quando a deflação dos automóveis atingiu 8,06%.

No início de 2010, os preços mais caros estão afugentando os consumidores. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), em abril foram vendidos 208,9 mil carros novos, 24,15% a menos do que em março. Braz diz que nos últimos meses houve grande antecipação de compras de consumidores, que aproveitaram os estímulos fiscais.

Já na visão de analistas que acompanham o setor, mesmo com a pressão de custos as montadoras terão dificuldade em repor a inflação, a exemplo do que ocorre nos últimos anos. A principal razão é a concorrência acirrada entre as mais de 40 marcas que atuam no Brasil, entre fabricantes e importadores, que acaba inibindo reajustes elevados.

Reversão. O diretor do Centro de Estudos Automotivos (CEA) e ex-presidente da Ford do Brasil, Luiz Carlos Mello, não acredita em queda acentuada das vendas neste ano. Para ele, a oferta de crédito e a forte demanda reprimida por carros novos deve manter o mercado aquecido. "O crédito na compra do automóvel é um dos elementos principais para se decidir pela compra; o prazo facilitado e as condições, tudo isso combina elementos para estimular o consumidor."

"Essas quedas (nas vendas de automóveis novos em abril e maio) são pontuais e não se configurarão em tendência. O setor deve se recuperar nas vendas ao longo do ano", diz Mello. A previsão da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), é de vendas de 3,4 milhões de veículos neste ano, 8% mais do que em 2009, ano recorde do setor, com 3,141 milhões de unidades vendidas./ COLABOROU CLEIDE SILVA

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