Sem interessados, leilão da Cesp fracassa mais uma vez

Esta seria a terceira tentativa de venda da empresa. Ações da empresa caem mais de 15% na Bovespa

Da Redação,

25 de março de 2008 | 13h00

Nenhum grupo apresentou as garantias mínimas para o leilão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), marcado para quarta-feira, 26, segundo confirmou o governador José Serra. Para participar do leilão, as companhias tinham até as 12 horas desta terça-feira, 25, para apresentar suas garantias na Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). Esta seria a terceira tentativa de venda da empresa.  Veja também:Para CNI, leilão da Cesp era de alto riscoCarta de Lobão não atrapalhou Cesp, diz ZimmermannGoverno de SP admite que há falhas no modelo do setor elétrico Em entrevista coletiva concedida no Palácio dos Bandeirantes, Serra disse que as empresas queriam um valor menor para a Cesp. "O pessoal queria um valor menor, mas nós não vendemos na bacia das almas", afirmou.Ele argumentou que o governo "não cedeu às empresas e não diminuiu o preço da companhia". E destacou: "Mantivemos o patrimônio da Cesp".  O governador paulista acredita que uma das razões para as cinco empresas que participariam do leilão não terem oferecido um preço adequado foi a dificuldade de obtenção de financiamento junto às instituições de crédito internacionais, em razão da crise dos Estados Unidos. Logo após o anúncio, as ações da Cesp caíam 15,83%, negociadas a R$ 32,65, e respondiam pelo segundo maior giro financeiro do pregão, movimentando R$ 239,5 milhões. No mesmo horário, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com alta de 2,13%. Não-interessados Até segunda-feira, os investidores mantinham o discurso de que ainda estavam avaliando as condições da disputa. Para muitos, essa era uma estratégia para tentar pressionar o governo numa possível redução do preço mínimo da estatal, estabelecido em R$ 6,6 bilhões. Outros avaliavam que, de fato, a decisão de comprar a Cesp não seria fácil diante das incertezas sobre a renovação do contrato de concessão das hidrelétricas de Jupiá e Ilha Solteira, que representam 67% da capacidade de geração da empresa. Mas, apesar das indefinições, várias informações circularam pelo setor. Uma delas é que a brasileira CPFL estaria tentando uma parceria com o grupo franco-belga Suez, controlador da Tractebel (empresa pré-identificada para o leilão). A CPFL já havia conversado com a Neoenergia, controlada pela Previ e com participação da espanhola Iberdrola. Porém, na noite de segunda-feira, a Neoenergia já havia dito que não faria o depósito das garantias por causa das incertezas na prorrogação das concessões. O grupo brasileiro sempre foi um dos fortes candidatos à disputa. Na semana passada, o presidente da empresa, Wilson Ferreira Jr., confirmou o interesse na estatal, mas condicionou a participação no leilão à renovação das usinas, com vencimento em 2015. Na ocasião, ele disse que já estava providenciando o depósito das garantias. A americana Alcoa também não havia confirmado presença no leilão, mas dizia que avaliava a possibilidade. Problemas no setor elétrico O leilão da Cesp fracassa no dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se reunir com ministros para fazer uma avaliação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na área de energia. Participam da reunião os ministros Edison Lobão (Minas e Energia), Guido Mantega (Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento), Dilma Rousseff (Casa Civil), e do Meio Ambiente, Marina Silva.  O leilão da Cesp trouxe à tona uma situação bastante complicada no setor elétrico. Além das hidrelétricas Jupiá e Ilha Solteira, outras geradoras, com capacidade que beira os 20 mil MW, terão o contrato de concessão vencidos até 2015. Mas o problema não pára por aí. Distribuidoras e transmissoras sofrem do mesmo mal. A não renovação das concessões, embora prevista em lei, poderia elevar o risco regulatório num momento em que o setor precisa com urgência elevar o volume de investimentos. Com o avanço da economia e o aumento do consumo, o risco de descompasso entre oferta e demanda tem crescido de forma expressiva. Novos racionamentos, a exemplo do que ocorreu em 2001, não estão descartados nos próximos anos por causa da lentidão na expansão da geração.  Ou seja, o governo terá de encontrar uma solução para o problema. Mas, segundo comentários do mercado, o que tem pesado é a questão política. Sinalizar para uma solução agora significaria pôr bilhões de reais nas mãos do PSDB às vésperas de eleições municipais, além de fortalecer José Serra como candidato à presidência. 

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