Sem interferência do Planalto, IPCA já estaria em 6%

Congelamento do preço da gasolina e mudanças no IPI contribuem para reduzir a alta de preços em 0,5 ponto porcentual

O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2012 | 02h08

Sem as "interferências" do governo Dilma, a inflação já estaria em 6%. O cálculo é do economista Tiago Curado, da Tendências Consultoria Integrada. "Passados os efeitos atípicos, a tendência é a inflação retornar para esse patamar", diz.

No acumulado de 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) está em 5,45%. Dois fenômenos contribuem para reduzir a alta de preços em 0,5 ponto porcentual: o congelamento do preço da gasolina para o consumidor e as mudanças no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Pelas contas feitas pela Tendências, a falta de reajuste da gasolina já representa uma "economia" de 0,32 ponto porcentual no indicador. Desse total, 0,14 ponto vem do reajuste concedido nas refinarias, mas não repassado ao consumidor com a redução da Cide, imposto que incide sobre os combustíveis.

Mais 0,18 ponto de inflação deixou de ser contabilizado no IPCA por causa da decisão do governo de não conceder novo reajuste à Petrobrás, que impactaria os consumidores. O economista estimou um reajuste de 10% na gasolina na refinaria e de 4,5% ao consumidor. A gasolina tem um peso de 3,95% no IPCA.

Redução do IPI. Também teve impactos importantes no indicador que baliza a meta de inflação do País a redução do IPI para automóveis e para eletrodomésticos da linha branca. O IPI menor significou uma queda de 5,94% no preço do veículos novos, de 6,32% dos carros usados e de 3,63% nos eletrodomésticos. O resultado é um desconto de 0,38 ponto porcentual no IPCA.

Os cálculos também consideram os aumentos de IPI realizados para cigarro, refrigerante, água e cerveja - embora parte do reajuste da cerveja tenha sido adiado para abril de 2013, para evitar impulsionar a inflação. Esses aumentos do IPI representaram 0,17 ponto a mais no IPCA.

Para Luiz Roberto Cunha, professor da PUC-Rio, o governo intervém nos preços para estimular o consumo, garantir inflação baixa e reduzir estruturalmente os juros brasileiros. "Tudo isso é muito positivo. Mas tem um custo e posterga o problema." / R.L.

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