Andre Dusek/Estadão
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Sem intervenção no câmbio, setor privado teria quebrado, diz Tombini

Presidente do BC disse ainda que manutenção dos juros por tempo prolongado é a estratégia para levar a inflação à meta em 2016

Rachel Gamarski, Célia Froufe e Victor Martins, O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2015 | 15h54

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, saiu em defesa do programa de swaps cambiais e da formação de reservas internacionais, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado nesta terça-feira, 15. Ele afirmou que, caso não tivesse sido dada proteção ao mercado contra a variação do dólar, por meio de swaps, a situação teria se tornado "dramática".  

"O objetivo é estabilidade financeira. Poderíamos ter tido quebradeira no sistema com o mercado aproveitando a queda de juros lá fora. Em outros momentos houve descasamento enorme, como em 2008", explicou. A preocupação do BC, segundo o presidente, era evitar exposição excessiva do setor privado ao dólar sem a devida proteção. O programa de leilões diários de contratos de swap (cujo efeito é equivalente à venda de dólares no mercado futuro) durou de agosto de 2013 a março deste ano.    

Ele ainda alertou os senadores de que, caso não existissem os swaps e as reservas, o setor privado estaria quebrado. "Teríamos um setor privado quebrado, e nada disso tivemos. Posso assegurar que teríamos uma situação dramática caso não usássemos os swaps", afirmou. "O câmbio é flutuante e flutuou. A primeira linha de defesa do Brasil é câmbio flutuante. Vemos, agora, que um ajuste está se processando (com a alta do dólar)." 

Tombini argumentou que, ao longo de 2013 e 2014, muitas empresas tomaram recursos lá fora e por isso foi necessária essa proteção. "De que vale essa acumulação de reservas se você não pode usar?", questionou o presidente do BC. "Nós temos posição credora em dólar. Pudemos fazer programa previsível que deu proteção ao setor privado. Se não tem essa proteção (reservas), na primeira situação mais adversa para de entrar dólares no País e começa a sair", observou.   

Segundo Tombini, o BC possui um arsenal de medidas, ainda que o câmbio seja a primeira linha de defesa. "Objetivo é que setor privado não financeiro transite num monte onde o dólar sai de R$ 2,20 a R$ 3,90, mas podemos usar outros instrumentos", disse. Ainda segundo ele, "a ideia é não financiar saída quando as coisas estão mais incertas".  

Inflação. Segundo Tombini, a manutenção de juros por tempo prolongado é a estratégia do BC para a inflação ir à meta em 2016. O presidente ressaltou que a preocupação da instituição é mitigar os efeitos inflacionários numa segunda rodada de aumento de preços. "Estamos mitigando esses efeitos de segunda ordem", ressaltou, ao afirmar que o Banco Central não está preocupado com a inflação de itens específicos.

Mesmo assumindo que este ano a inflação irá superar o teto da meta, de 6,5%, o presidente Tombini respondeu em terceira pessoa sobre os encaminhamentos obrigatórios para comunicar ao Ministério da Fazenda as motivações do não cumprimento da meta. "Se a inflação ficar acima da banda em 2015, o presidente do BC escreverá essa carta (aberta ao ministro da Fazenda)", afirmou. 

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