Sem IPI reduzido, venda de automóvel cai 32%

Dados da Fenabrave apontam recuo em relação à primeira quinzena de abril; na comparação com maio do ano passado a retração foi de 12,4%

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2010 | 00h00

As vendas de automóveis novos despencaram na primeira quinzena de maio na comparação com igual período do mês passado. Foram vendidas 82,2 mil unidades, uma queda de 32% em relação aos números de abril, quando as vendas totalizaram 120,8 mil unidades. Somando comerciais leves, caminhões e ônibus, as vendas totalizam 115,7 mil veículos, quase 27% a menos do que os números da primeira metade do mês passado.

O fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) é o principal fator apontado pelas montadoras para a redução dos negócios. Além da retirada do subsídio, houve antecipação de compras por parte dos consumidores justamente para aproveitar o benefício em sua reta final.

Os dados divulgados ontem pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que, na comparação com a primeira quinzena de maio de 2009, a queda nas vendas de automóveis é de 12,4%. Juntando os demais segmentos, a redução é de 3,9%, puxada pelos negócios com caminhões e ônibus que, isolados, cresceram 56% de um período para o outro, de 5.194 unidades para 8.105.

A queda era esperada pelas montadoras de veículos e pelos concessionários, embora não em índices tão elevados.

No início do mês, o recém-empossado presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, chegou a prever vendas iguais ou "um pouco abaixo" das registradas em abril, de 277,8 mil unidades, já inferiores às de março, com 353,7 mil - recorde mensal da indústria.

Abril ainda contou com a soma de veículos que foram adquiridos na última semana do mês anterior, mas só licenciados no mês passado. A Fenabrave e a Anfavea utilizam os dados do licenciamento dos órgãos de trânsito para medir seus negócios.

Reação. A expectativa das montadoras é de que ocorra uma reação na segunda quinzena do mês. Os feirões de fábrica foram retomados no último fim de semana, depois de uma parada nas semanas anteriores.

No acumulado do ano, as vendas somam, até terça-feira, 1,193 milhão de veículos, alta de 16,6% em relação ao mesmo período de 2009, segundo fontes do mercado. Belini disse recentemente que continua "vendo com bons olhos o resultado para o ano, que deve ser 7% a 8% melhor que 2009". Isso significa que nos próximos meses ainda serão registradas novas quedas na vendas de carros novos.

Em 2009, as vendas no mercado interno somaram 3,1 milhões de veículos, número que, pelas projeções da Anfavea, deve chegar a 3,4 milhões até o fim do ano.

Motos. As vendas de motocicletas também apresentaram queda na primeira metade do mês, de 7,5% em relação ao mesmo período de abril. Foram vendidas 73,4 mil motos. Na comparação com a primeira quinzena de maio do ano passado, o resultado é 1% melhor, segundo os dados da Fenabrave.

PARA LEMBRAR

Governo baixou imposto no auge da crise

O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) foi zerado para carros 1.0 e reduzido à metade para modelos até 2.0 em dezembro de 2008, no auge da crise financeira internacional. A intenção do governo foi evitar uma queda drástica nas vendas, como ocorreu em vários países. Inicialmente, a medida teria validade por três meses, mas foi prorrogada. Depois, o governo decidiu pela volta gradual do imposto, em 1.º de janeiro, mas, novamente, foi prorrogado até março, mas só para carros flex.

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