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Sem Kicillof, argentinos voltam a NY

Ministro da Economia do país não fará parte da delegação que tenta, mais uma vez hoje, acordo com os 'holdouts' para escapar de calote

O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2014 | 02h04

BUENOS AIRES - O ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof, não fará parte da equipe de negociação que se encontrará hoje com um mediador nomeado pela Justiça em Nova York. O governo argentino tenta resolver uma disputa com detentores de bônus que deixou o país à beira do segundo calote da história do país em 13 anos.

"A delegação será formada por uma equipe jurídica e financeira do Ministério da Economia, mas o ministro da Economia não vai", afirmou ontem o chefe de gabinete da presidente Cristina Kirchner, Jorge Capitanich. Ele disse que as partes haviam acordado anteriormente a ausência do ministro, mas não disse por que ele não participará.

Kicillof e sua equipe se reuniram por várias horas na segunda-feira com Daniel Pollack, o advogado que o juiz distrital americano Thomas Griesa nomeou em junho para supervisionar as negociações entre a Argentina e um pequeno grupo de fundos de hedge que está processando o país cobrando títulos argentinos inadimplentes. Esse grupo de credores ficaram conhecidos como holdouts por não terem aceitado as reestruturações propostas pelos governos argentinos em 2005 e 2010.

Do total dos donos de títulos da dívida pública argentina, 92,4% aceitaram as reestruturações dos bônus. No entanto, 7,6% dos títulos estão nas mãos dos holdouts, concentrados em fundos de investimentos que na última década travaram batalhes nos tribunais contra a Argentina, exigindo o pagamento de 100% do valor nominal dos bônus.

A Argentina corre o risco de novo calote sobre a sua dívida se não fechar um acordo antes do fim do mês.

Kicillof pediu que o juiz Griesa suspenda a sua decisão, que proíbe o país de fazer pagamentos aos investidores que possuem títulos reestruturados, a menos que também pague os fundos de hedge. O governo argentino diz que cumprir a ordem do juiz é "impossível".

No mês passado, Griesa ordenou que os bancos devolvessem à Argentina o pagamento de juros de US$ 539 milhões em títulos argentinos com vencimento em 30 de junho, após a administração Kirchner depositar os fundos com o agente fiduciário de títulos, mas não pagar os fundos de hedge. A Argentina tem até o dia 30 deste mês para entregar esse dinheiro para os detentores de obrigações ou corre o risco de ser declarada inadimplente.

Imbróglio. A Argentina deu a última moratória de sua dívida pública em 2001, quando parou de fazer pagamentos de cerca de US$ 100 bilhões em meio a uma crise econômica. O país ofereceu a detentores dos títulos inadimplentes novos títulos no valor de cerca de 33 centavos de dólar em 2005 e 2010. Entre as duas trocas, os investidores concordaram em trocar 92,6% dos títulos inadimplentes elegíveis para reestruturação. No entanto, os fundos de hedge liderados pela NML Capital - comandado pelo financista americano Paul Singer - conseguiu do juiz Griesa a determinação para que a Argentina pague US$ 1,3 bilhão.

A Argentina ficou em grande parte sem opções legais após a Suprema Corte dos EUA se recusar em 16 de junho a ouvir a sua apelação sobre o caso, mantendo a decisão do juiz Griesa de que a Argentina deve tratar seus diferentes grupos de credores da mesma forma. "O governo está mostrando absoluto improviso nesse caso", afirmou na época o ex-presidente do banco central argentino Alfonso Prat-Gay, criticando as idas e vindas do governo Kirchner sobre os holdouts. / Agências internacionais

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