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Sem Libra, investimentos em petróleo até 2016 somam R$ 458,3 bi

Estudo do BNDES ainda não considera o resultado do leilão do pré-sal desta segunda-feira

Vinicius Neder, da Agência Estado,

21 de outubro de 2013 | 12h32

RIO - Mesmo sem contar os novos projetos trazidos pelo leilão de Libra, a primeira área do pré-sal a ser licitada - em certame marcado para esta segunda-feira, 21-, os investimentos no setor de petróleo e gás crescerão em R$ 54,4 bilhões na passagem do ciclo de 2013-2016 para o de 2014-2017, somando R$ 458,3 bilhões, segundo mapeamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo o estudo da Área de Pesquisa e Acompanhamento (APE) do BNDES, os aportes totais na economia chegarão a R$ 3,982 trilhões no período, alta de 26,3% ante o ciclo 2009-2012 (aí considerados os investimentos realizados).

As projeções do BNDES para o setor de petróleo e gás não incluem projetos a serem adicionados após o leilão de Libra, nem os da 11ª Rodada de licitações da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que ofertou novos blocos de exploração, em maio passado.

"O resultado (do leilão de hoje) pode indicar um investimento maior. Portanto, há um viés de alta nos investimentos", diz o superintendente da APE, Fernando Puga, destacando o peso do setor de petróleo, independentemente do pré-sal.

Segundo os técnicos do BNDES, faltam informações sobre os investimentos relacionados à exploração do campo de Libra. O plano de negócios da Petrobrás e demais petroleiras é a principal fonte de informações para mapear os projetos de investimento no setor.

Ainda assim, valores e andamentos dos projetos são analisados com olhar "conservador". Segundo Puga, a Petrobrás tem apresentado seu plano de negócios com dois cenários.

"Dentro dessa pesquisa tem um julgamento do que vai ser investido. No caso da Petrobrás, estamos pegando o número mais conservador", diz Puga, destacando que a opção não se deve a "ceticismo".

Os investimentos na indústria, incluindo petróleo e gás, somarão R$ 1,1 trilhão, nas projeções do banco, volume 24,3% superior aos investimentos do período  2009-2012. Em relação à projeção de investimentos anterior (2013-2016), feita pelo BNDES em fevereiro, foram adicionados R$ 66,77 bilhões.

Apesar do avanço em petróleo e gás, o comportamento de cada setor da indústria é distinto. Dos nove setores mapeados, tanto no ciclo 2013-2016 quanto no 2014-2017, houve elevação nos investimentos projetados em apenas três.

Seis deles deverão investir menos: as indústrias do setor extrativo-mineral, de papel e celulose, química, siderúrgica, eletroeletrônica e aeronáutica. Em relação ao ciclo de investimentos realmente realizados entre 2009 e 2012, apenas extrativo-mineral e siderurgia apresentam queda nos investimentos.

Segundo Puga, o investimento industrial responde a uma mudança de composição, marcada pela crise internacional, na qual os setores voltados para o mercado interno ganham mais dinamismo, em detrimento daqueles voltados para commodities e exportações.

Nesse quadro, as indústrias extrativa-mineral e de papel e celulose moderam seus investimentos após encerrarem fortes ciclos de investimento até 2012. Já a siderurgia segue em crise por causa do excesso de capacidade produtiva mundo afora.

Na outra ponta, ganham as indústrias automotiva e eletroeletrônica. "Esses setores são mais puxados pelo consumo das famílias, o que fez com que a gente projetasse o setor de serviços também com um bom crescimento", diz Puga.(Vinicius Neder)

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