Sem medidas cambiais, dólar sobe de olho no Banco Central

Com corrida no fim dos negócios, cotação da moeda americana fechou em alta de 0,70%, a R$ 2,152

Ana Luísa Westphalen, da Agência Estado,

12 de junho de 2013 | 17h42

Texto atualizado às 20h20

SÃO PAULO - Em um dia de ajustes após a frustração diante da ausência de novas medidas cambiais por parte do governo, os investidores voltaram a comprar dólares na sessão desta quarta-feira. Com direito a uma corrida no fim dos negócios, a moeda norte-americana fechou em alta de 0,70%, a R$ 2,1520, mas chegou a alcançar a máxima de R$ 2,1570 (+0,94%), na última hora da jornada. O valor do fechamento é o maior desde 30 de abril de 2009, quando a moeda encerrou cotada a R$ 2,188. Na mínima, logo após a abertura, a divisa foi a R$ 2,1250 (-0,56%).

Segundo operadores ouvidos pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, essa puxada à tarde reflete um movimento do mercado para testar a disposição do Banco Central (BC) em agir para conter a valorização da moeda norte-americana. Ontem, a autoridade monetária interveio no câmbio por meio de dois leilões de swap cambial (equivalente à venda de dólares no mercado futuro) quando a moeda norte-americana chegou ao patamar de R$ 2,16.

Apesar de a expectativa de novas medidas para limitar a alta do dólar não ter saído do radar, hoje houve um "ajuste à expectativa que não se concretizou ontem", nas palavras de um operador, referindo-se ao encontro do ministro da Fazenda, Guido Mantega, com a presidente Dilma Rousseff. O encontro de terça-feira foi cercado de especulações de que o governo poderia anunciar alguma medida relacionada ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente em operações cambiais. Em reação, o dólar recuou ontem. "Não saiu nada da reunião, então os investidores voltaram a comprar dólares hoje", explica um profissional da área de câmbio.

A medida, contudo, acabou sendo anunciada na noite desta quarta-feira, após o fechamento dos mercados. O governo decidiu retirar o IOF de 1% sobre a posição vendida líquida no mercado de derivativos cambiais.

Hoje, a cotação do dólar ante o real ficou descolada diante de outras moedas com forte relação com commodities, o que chamou a atenção dos operadores. Isso foi visto como um motivo adicional para o Banco Central agir - o que não ocorreu. "O real está entrando em um nível perigoso, o que se soma ao fato de a nossa moeda estar bem descolada. O mercado sabe que o BC está olhando para isso e pode atuar", avaliou operador de um grande banco durante a tarde.

Outro profissional acredita que o BC pode até lançar mão de um leilão de venda à vista, se for necessário. "O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem comentado em entrevistas que o Brasil tem fortes reservas para conter a alta do dólar, o que pode ser visto como uma disposição para o governo lançar mão de um leilão de dólar spot (venda à vista)", destacou um operador.

Outro operador ponderou que o movimento especulativo ficou mais evidente hoje, porque o fluxo foi reduzido. "Como o mercado está sem muita liquidez hoje, não é preciso comprar muitos lotes para puxar a cotação para cima, é mais fácil puxar", explicou o profissional.

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