Sem medo do risco, investidor mais velho 'invade' a Bovespa

Investidores com mais de 56 anos já são 24% do total de pessoas físicas que aplicam em ações e respondem por 60% dos recursos negociados

Roberta Scrivano, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 00h00

O investidor mais velho invadiu a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Aplicadores com mais de 56 anos já representam um quarto (133,4 mil) do total de pessoas físicas na bolsa. Juntos, responderam por 60% de todo o montante negociado pelas pessoas físicas no mês de julho - o equivalente a R$ 56,3 bilhões.

"Os mais velhos têm mais poder aquisitivo e, consequentemente, têm possibilidade de diversificar a carteira para garantir uma posição mais segura, o que normalmente traz melhores resultados aos investimentos", diz Willian Eid Júnior, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP).

A recomendação dos especialistas em finanças pessoais aos mais velhos segue a linha do que já faz o bancário aposentado Marco Rodotá (leia no quadro ao lado).

O administrador de investimentos Fábio Colombo explica que, quanto mais velha a pessoa, menor deve ser o risco que assume nos investimentos. Isso quer dizer que o cidadão com mais de 55 anos que aplica na bolsa deve ter uma reserva de dinheiro em algo mais seguro e líquido, como, por exemplo, a caderneta de poupança. "Normalmente, o aposentado que vai à bolsa tem também recursos aplicados em renda fixa", observa Colombo.

Tratando-se exclusivamente da carteira de ações, Rita Mundim, analista da Prosper Corretora, recomenda investimentos nos setores da chamada "velha economia". "Telefonia, energia, mineração e o setor financeiro são boas apostas para quem tem mais idade", indica.

Ela explica que o rumo desse tipo de setor é "relativamente mais fácil de prever", o que diminui o risco e melhora as perspectivas dos ganhos com as ações. "É disso que os mais velhos precisam", completa Eid, da FGV.

Melhor preço. Pesquisar a corretora que fará a intermediação dos investimentos na bolsa é outro ponto importante aos aposentados. A TOV, por exemplo, é uma das que têm estratégia mais agressiva nesse ramo. Aposentados pagam R$ 2,50 de taxa de corretagem. Para outros clientes, a TOV cobra a partir de R$ 5.

A corretora Souza Barros, uma das mais antigas do mercado, oferece a essa fatia de clientes um sistema de cobrança decrescente da taxa de corretagem, que, conforme o número de ordens, pode cair de R$ 20 para R$ 12. A WinTrade está no mesmo caminho e vende aos clientes um pacote em que a taxa cai de R$ 20 para até R$ 2.

"Para as corretoras, é bom negócio oferecer benefício aos clientes mais velhos porque esses, em sua maioria, farão investimentos de longo prazo na mesma corretora", explica Eid.

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