Sem o FMI, futuro da Argentina será pavoroso, diz economista

O economista do BNDES Fábio Giambiagi considera que, se a Argentina não obtiver um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), ?ou o dinheiro que está no ?corralito? não será devolvido ou a hiperinflação vai voltar - de qualquer jeito será um futuro pavoroso?.Para ele, o apoio do FMI é fundamental para desmontar o ?corralito?, como ficou conhecido o limite aos saques nos bancos, e assim dar ao governo condições políticas de prosseguir com as negociações necessárias para fazer o país voltar à normalidade.?Há um problema insolúvel hoje na Argentina: o que as pessoas querem é receber notas verdes (dólares) que não existem lá?, disse, Giambiagi, que voltou nesta semana de férias em Buenos Aires, onde visitava amigos e parentes, à Agência Estado.O desmonte do corralito é importante politicamente porque, de acordo com o economista, ?o governo pode cair se houver mais dois panelaços?, e ?novas eleições não mudariam nada, porque provavelmente seria eleito outro peronista, com 50% de votos nulos ou em branco?.De acordo com Giambiagi, o dia-a-dia na Argentina está muito difícil. ?Todos os dias se vêem filas nos bancos com mais de 300 velhinhos debaixo de um sol de 30º, tentando sacar dinheiro. E, às vezes, quando chegam ao caixa, o sistema falha e precisam voltar no dia seguinte?, afirmou.Segundo Giambiagi, o sentimento da população na Argentina seria como uma combinação dos traumas no Brasil de confisco do plano Collor, em 1990, com a crise do impeachment, em 1992, com a crise de desvalorização do real quando Chico Lopes era presidente do Banco Central, em janeiro de 1999.?Na Argentina as pessoas estão tendo ao mesmo tempo os traumas de uma crise de liquidez, uma crise política e uma crise de desvalorização cambial?, disse.Para Giambiagi, alguma solução será dada para os bancos que estão quebrando, porque não existe país sem sistema financeiro. ?Eu espero que os bancos não sejam estatizados, mas a solução passa por um fundo com recursos do Estado para ser destinado aos bancos?, disse.De acordo com Giambiagi, ?se o governo conseguir fazer o acordo com o FMI, com as províncias, com os bancos e se tudo der certo, a Argentina poderá voltar a crescer no segundo semestre deste ano, o que não impedirá que o PIB (Produto Interno Bruto) caia muito em 2002, porque a economia argentina não está no chão, está no 2º subsolo?. Leia o especial

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