Sem pressa para vender a Via Varejo

GPA prefere esperar resultados positivos para conseguir um preço de venda melhor pela dona da Casas Bahia

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2017 | 05h00

O fechamento da venda da Via Varejo é um desejo do grupo francês Casino, controlador do Grupo Pão de Açúcar (GPA). Embora a empresa tenha a intenção de se desfazer da holding que reúne Ponto Frio e Casas Bahia, não existe uma corrida para concluir o negócio a qualquer custo, segundo Ronaldo Iabrudi, presidente do Grupo Pão de Açúcar.

Caso o Casino tivesse fechado a venda da Via Varejo ainda em março, provavelmente seria com um deságio considerável em relação ao potencial que o negócio tem. Isso porque o segmento de eletrodomésticos, que depende bastante do crédito, foi um dos mais afetados pela crise econômica.

As dificuldades apareceram no resultado da Via Varejo, que divulgou sucessivos prejuízos. No ano passado, a empresa perdeu R$ 750 milhões. Em um ano, o resultado negativo foi ampliado em 95%, já que o prejuízo de 2015 havia sido de R$ 384 milhões. Além da crise, a integração com a Cnova – braço de e-commerce do grupo – também afetou o balanço.

“A ideia é vender o negócio da forma mais competitiva possível, sempre”, explica o executivo. “Então, estamos mantendo o sangue frio em busca do nosso melhor interesse.”

No caso da Via Varejo, o executivo diz que é preciso ter calma para esperar que a queda dos juros e da inflação comece a ser percebida no emprego e, por consequência, no consumo. No entanto, Iabrudi afirma que a Via Varejo deverá voltar a apresentar um resultado líquido positivo já neste primeiro trimestre.

Interessados. O mercado vinha comentando, desde 2016, sobre uma suposta extensa lista de interessados pela Via Varejo. Surgiram nomes estrangeiros tão díspares quanto a coreana Samsung, a chinesa Alibaba, a chilena Falabella e até a francesa Fnac, que recentemente anunciou sua intenção de deixar o mercado brasileiro.

Entre as nacionais, foi aventada a Lojas Americanas. O mercado também apontou uma possível intenção da família Klein, que era dona da Casas Bahia até a venda do negócio ao GPA, em 2009, de transformar sua posição minoritária atual em majoritária. No fim das contas, diante das dificuldades do setor, nenhuma dessas hipóteses se concretizou.

Segundo Iabrudi, não há nem nunca houve um prazo para apresentação de propostas de grupos nacionais e estrangeiros interessados no ativo. Segundo ele, valem as regras de mercado: quando surgir uma oferta considerada boa o suficiente, o acordo será fechado.

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