RICARDO LIMA/ESTADÃO
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E-Investidor: O passo a passo para montar uma reserva de emergência

‘Sem proteção da lei, só restará apelar à Justiça’

Economista da Unicamp diz que reforma não vai gerar mais empregos e que o trabalho intermitente é rapidamente abandonado

Entrevista com

Claudio Dedecca, professor da Unicamp

Anne Warth/ BRASÍLIA, Impresso

07 de maio de 2017 | 05h00

A reforma trabalhista vai gerar empregos?

Não. O emprego só aumenta quando a economia do País tem crescimento. A redução do custo do trabalho, único objetivo dessa reforma, não é suficiente para gerar empregos. O custo do trabalhador não é a causa da baixa competitividade e produtividade da economia brasileira. As razões são mais complexas. A explicação do dinamismo da China não é o baixo custo do trabalhador, mas sua estratégia de inserção internacional, com investimentos em tecnologia e escala de produção.

Serão reduzidos os litígios e disputas judiciais?

Não. Historicamente, os acordos coletivos fechados no Brasil são ruins e se limitam às negociações sobre reajuste anual. Sem proteção da lei e dos sindicatos, só restará apelar à Justiça do Trabalho, que será ainda mais demandada, sendo a última instância de proteção do trabalhador. Mesmo que tentem acabar com a Justiça do Trabalho, o que é muito improvável, esses litígios serão julgados pela Justiça Comum, como ocorre nos países onde não há essa instância.

O trabalho intermitente é um avanço?

Não. Estudos mostram que o trabalhador que tem emprego intermitente abandona a função assim que encontra um emprego melhor. Trata-se de uma insanidade para o trabalhador, principalmente para setores que possuem horários de pico, como transporte urbano e supermercados.

 

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