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Sem recursos, família ignora apelo ao consumismo

Mesmo que os recursos venham é pouco provável que família embarque na onda consumista imaginada pelo governo Abe

Denise Chrispim Marin, enviada especial de O Estado de S.Paulo,

19 de abril de 2014 | 18h32

TÓQUIO - Kimiko Kawashima, pedagoga e etnóloga de 44 anos, serve morangos às suas visitas mesmo quando não é temporada. Nada pode ser mais honroso e delicado ao visitante em uma casa japonesa. Frutas custam uma verdadeira fortuna no Japão. Um melão pode ser embalado como presente fino e vendido pelo equivalente a R$ 500. Uma caixinha de morangos não sai por menos de 50 mil ienes (R$ 195) no inverno japonês. Kimiko acomodou uma tigela com as frutas no chão de seu pequeno apartamento, onde estava deitada a filha de três meses.

As vidas de Kimiko, de seu marido David Gimenez, historiador mexicano, e do bebê Saori seguem um estilo franciscano, para padrões ocidentais. Porém, muito tradicional e comum no Japão, mesmo entre famílias de classe média, que muitas vezes pagam guarda-móveis. Não há excessos nesse apartamento de dois cômodos em Kawasaki, na Grande Tóquio. Nem sofás ou poltronas, nem camas ou berço. Computador, televisão e aquecedor elétrico são os únicos "exageros".

O orçamento do casal é de 160 mil ienes ou R$ 3.672, descontados os boletos de impostos, do seguro de trabalho e da previdência. Significa pouco para os padrões de uma das cidades mais caras do mundo.

Famílias como a de Kimiko e David estão entre as que o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, pretende ver nos próximos anos com renda mais robusta e consumo mais ativo. Os ganhos familiares inevitavelmente aumentarão quando Kimiko retornar ao mercado de trabalho – algo que ela terá de fazer, independentemente do esforço do governo para atrair mulheres de volta às filas de emprego. Atualmente, não há vaga nas creches da vizinhança onde deixar a pequena Saori.

No IPC, onde Kimiko trabalhou por seis anos como funcionária administrativa, recebia 250 mil ienes mensais líquidos. Deixou a empresa em dezembro de 2012, esgotada pela rotina de até 15 horas por dia, inclusive em fins de semana, e empregou-se em uma panificadora por salário menor. No ano passado, teve de se desligar da pequena empresa por causa de complicações na gravidez. Agora, a renda familiar advém exclusivamente do trabalho de David como cuidador de idosos em uma casa de repouso.

Mesmo que os recursos venham a crescer, há poucas chances de Kimiko e David embarcarem na onda consumista imaginada pelo governo Abe para o futuro próximo. "Por toda a nossa formação acadêmica, tentamos dar outro sentido às nossas vidas. Não queremos apenas ser um elo na roda da economia. Não queremos consumir mais. Já consumimos o suficiente", afirmou Kimiko ao Estado.

"O governo fala muito no aumento de salários. Mas o que queremos mesmo é a redução de horas de trabalho aqui no Japão. As pessoas têm direito a uma melhor qualidade de vida", completou Gimenez que, por enquanto, não pensa em retornar definitivamente à Cidade do México com a família. / D.C.M.

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