Valter Campanato/Agência Brasil
Valter Campanato/Agência Brasil

Sem reforma da Previdência, perderemos a confiança do mercado, diz secretária do Tesouro

Para Ana Paula Vescovi, secretária do Tesouro Nacional, a condução dos ajustes fiscais na economia brasileira será prejudicada caso as mudanças no INSS não sejam aprovadas pelo Congresso

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2017 | 09h37

BRASÍLIA - A secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, argumentou nesta segunda-feira, 6, que o governo e a condução dos ajustes fiscais na economia brasileira perderão a confiança do mercado caso a reforma da Previdência não seja aprovada pelo Congresso Nacional no fim deste ano ou no começo do próximo. E, na avaliação dela, isso prejudicaria a retomada da economia.

+ Efeito manada pode garantir votos para aprovar a reforma da Previdência

"A recuperação da economia é muito baseada na confiança dos agentes, na credibilidade de que a política fiscal pode ser sustentada ao longo do tempo. O benefício da reforma da Previdência é de longo prazo, pois evita um crescimento maior dessas despesas", afirmou, em entrevista à rádio CBN.

Ela lembrou que a economia já voltou a crescer, inclusive com a geração de empregos. Ana Paula ressaltou, porém, que a reforma da Previdência é fundamental para garantir a expansão sustentável da economia também nos próximos anos.

+ Governo diz que rejeição à reforma da Previdência caiu

"Se não conseguirmos empreender a reforma ainda este ano, ou no máximo no começo do próximo ano, nós perderemos essa confiança do mercado. Então é muito importante que consigamos sinalizar para o mercado que vamos ter essa disciplina de longo prazo e ter sustentação nas contas públicas", completou.

+ Para S&P, janela de oportunidade está se fechando para o Brasil

Questionada se o governo conseguirá afinal os votos necessários no Congresso para aprovar a reforma, a secretária do Tesouro lembrou que os parlamentares já aprovaram medidas de ajuste fiscal e melhoria da competitividade propostas por esse governo, citando o teto de gastos e a reforma trabalhista. "Estamos confiantes. O Congresso tem sido um parceiro na retomada da confiança", avaliou.

Segundo ela, quando o atual governo assumiu, em meados de 2016, havia uma expectativa de que a dívida pública tivesse um crescimento explosivo que a levasse para patamares de até 120% do PIB. "Já temos hoje cenários que convergem para a dívida crescendo ainda um pouco, mas se estabilizando em cerca de 80% do PIB. Esse cenário de confiança reduziu prêmios de risco e possibilitou queda da inflação dos juros. Temos uma demonstração clara de que estamos na direção correta", afirmou.

+ Tucanos hesitam sobre apoio à reforma da Previdência

Ana Paula voltou a dizer que o Brasil precisa de um ajuste de R$ 300 bilhões ao longo do tempo para estancar o crescimento da dívida pública e alegou que o governo tem feito um esforço para reduzir o déficit primário a cada ano. A secretária do Tesouro reforçou ainda a necessidade de aprovação ainda este ano de medidas voltadas para o Orçamento de 2018, que trazem o corte de R$ 7,5 bilhões em despesas e um incremento de R$ 14 bilhões nas receitas.

Ela repetiu que as despesas obrigatórias - das quais a Previdência é mais emblemática - têm um crescimento persistente e lembrou que as medidas propostas para reduzir o gasto obrigatório abrem espaço para o governo aumentar os investimentos e ampliar os programas sociais. "Esse ano de 2017 foi um ano difícil para pagar despesas básicas do governo", admitiu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.