Wilton Júnior/Estadão
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Sem reforma na Previdência, custo para gerações futuras será insustentável, diz Ipea

Rogério Nagamine, coordenador de Previdência no órgão, ainda argumentou que, hoje, os gastos com Previdência reduzem as despesas com saúde, educação e investimentos

Altamiro Silva Junior, Francisco Carlos de Assis, Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2017 | 12h20

O coordenador de Previdência do Ipea, Rogério Nagamine, afirmou que a reforma da Previdência não é uma opção, mas uma necessidade, já que, sem ela, estaríamos jogando um fardo pesado para as gerações futuras, que teriam que pagar alíquotas previdenciárias muito altas. Segundo ele, a alíquota seria de 50% em 2060 sem a reforma. "É um custo insustentável para as gerações futuras", disse.

Além disso, segundo ele, os gastos com previdência hoje reduzem as despesas com saúde, educação e investimentos. "Há uma série de distorções no nosso modelo de aposentadoria, além disso temos a evolução demográfica. Sem a reforma, precisaríamos de elevação tributária." Além disso, segundo ele, se nada for alterado, os gastos com a previdência (aposentadoria e pensões em geral) vão chegar a 20% do PIB em 2060. Nesse mesmo ano, já teríamos mais pessoas aposentadas do que na ativa. "Cada trabalhador teria um aposentado para chamar de seu", completou.

Nagamine ainda refutou a ideia de que a reforma da Previdência é injusta para os mais pobres. Segundo ele, esse grupo já não se aposenta por tempo de contribuição, e sim pela idade mínima. "Já tem idade mínima para os mais pobres, falta idade mínima para aqueles que têm renda mais elevada." Nagamine considerou que no Brasil concedemos aposentadoria muito precoce para pessoas que ainda têm plena capacidade laboral. 

As declarações foram dadas durante o Fóruns Estadão que trata da reforma da Previdência nesta quinta-feira, 9.

Fenasaude. Também presente no evento, o ex-ministro da Previdência e diretor executivo da Federação Nacional de Saúde Complementar, José Cechin, considerou que a discussão sobre a existência ou não do déficit da Previdência é irrelevante, já que o dinheiro sai de um lugar só: o Tesouro Nacional. "A previdência custa e quem paga somos nós. O modelo atual pode quebrar o Tesouro", disse lembrando que o balanço já é deficitário.

 

Segundo ele, 75% dos gastos da União é com o pagamento de pessoas, 51% é com aposentados. Cechin ainda completou que hoje os aposentados pelo INSS correspondem a 13% da população e, se nada for feito, em 2060, essa fatia será de 35%. 

Para o ex-ministro, é preciso dissipar mitos com meias verdades na Previdência. Como exemplo, ele citou o argumento de que a cobrança das dívidas previdenciárias e o fim das isenções podem salvar o modelo atual. 

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