Sem reformas, BC grego admite abandonar o euro

Alerta da autoridade monetária foi feito ao atual governo de coalizão; primeiro-ministro finalmente cedeu à exigência da UE e do FMI de apresentar um compromisso por escrito

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2011 | 03h04

A Grécia pode abandonar o euro se não acelerar a aprovação de seu pacote de austeridade, medida exigida pela União Europeia para liberar o resgate de 130 bilhões. O alerta foi feito ontem pelo Banco Central da Grécia, que apelou para que o governo de coalizão no poder acelere o ritmo das reformas econômicas.

Ontem, a crise obrigou líderes de partidos opostos na Grécia e na Espanha a entrarem em acordo para evitar um colapso de suas economias. Na Grécia, o líder do principal partido conservador, Antonis Samaras, finalmente concordou com a assinatura de uma carta à UE e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) comprometendo-se a aceitar o pacote de austeridade proposto pelos socialistas. Na Espanha, o primeiro-ministro eleito, Mariano Rajoy, se reuniu em caráter de emergência com o primeiro-ministro José Luiz Rodriguez Zapatero para acelerar a transição, depois das eleições do fim de semana.

Há três semanas, o governo grego de George Papandreou foi obrigado a dar lugar a um governo de união nacional, a única forma de garantir que as reformas fossem aprovadas. Ao assumir, o governo de união nacional recebeu da UE e do FMI a exigência de apresentar por escrito uma garantia de que todas as forças políticas internas seguiriam a receita do bloco. Ontem, a chanceler alemã, Angela Merkel, tomou a mesma linha e alertou que a Grécia precisava provar que está disposta a fazer as reformas, antes de receber mais dinheiro da UE.

Samaras, que chegou a dizer que a exigência da carta era um "insulto", finalmente cedeu, o que abre a porta para que a Grécia receba a parcela de 8 bilhões prevista para este ano.

Euro. Sem o pacote, o BC grego estima que o país entrará em "trajetória descontrolada de baixa que vai minar muitas das realizações das últimas décadas, vai tirar o país da zona do euro e empurrar para trás em muitas décadas a economia, o padrão de vida, a sociedade e a posição internacional grega". Para o banco central, o resgate da UE é a "última chance do país".

Segundo a autoridade monetária, a Grécia entrará em 2012 no quinto ano seguido de contração do Produto Interno Bruto (PIB). Para o próximo ano, será de mais 5,5%. Em 2013, o país voltaria a crescer, mas apenas 1%. O desemprego também aumentará, atingindo 18%.

Na Espanha, a crise também obrigou partidos adversários a planejarem ações conjuntas. Rajoy venceu as eleições no fim de semana com maioria absoluta, mas o mercado não deu trégua. Investidores querem detalhes do pacote de cortes de Rajoy e pedem que ele assuma rapidamente o poder, algo que a Constituição prevê para ocorrer apenas às vésperas do Natal.

Ontem, apenas três dias depois das eleições, Rajoy e Zapatero se reuniram para traçar uma estratégia conjunta. A delegação de Zapatero deixou claro a Rajoy que o novo governo terá "dias muito difíceis" e informou o premiê eleito sobre a série de reuniões da UE nas próximas duas semanas. Rajoy deve apresentar seu plano de austeridade no dia 7 de dezembro a Merkel e ao presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Mercado. As bolsas de valores no mundo todo reagiram negativamente ao forte clima de insegurança na Europa. Aliado ao relatório do BC grego, o fracasso da emissão de títulos da Alemanha fizeram o mercado de ações despencar. Richard Batty, estrategista do Standard Life Investments, disse que a fraca demanda na operação foi uma surpresa. "Está chegando a um ponto em que os investidores estão ficando preocupados com a Alemanha pagando mais da conta da zona do euro."

Em Frankfurt, a queda foi de 1,44%; em Paris, 1,68%; e em Londres, 1,29%. Nos EUA, o Índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York , caiu 2,05% e o Nasdaq, das empresas de tecnologia, 2,43%.

No Brasil, o Ibovespa terminou o dia com queda de 1,62%. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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