Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Sem reformas, Brasil ficará mais vulnerável a crises globais, diz Guardia

Para ministro da Fazenda, desvalorização do real, neste momento, é parte do movimento global que afeta principalmente os emergentes, e o Brasil está preparado para a turbulência; no médio e longo prazos, porém, só as reformas poderiam blindar o País

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2018 | 04h00

Depois de mais um dia de forte turbulência no mercado financeiro, com a sexta alta consecutiva do dólar, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, disse nesta sexta-feira, 18, ao Estadão/Broadcast que o movimento de valorização da moeda americana é global e atinge principalmente as moedas de países emergentes. Mas afirmou que o momento exige a continuidade das reformas. Sem elas, disse, o Brasil fica mais vulnerável.

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 Em relação ao movimento dos últimos dias – nesta sexta, o dólar chegou a bater em R$ 3,77, embora depois tenha recuado um pouco – Guardia lembrou que moedas de diversos países, como África do Sul, México, Chile, Colômbia e Turquia, também tiveram desvalorização. Em menor escala, até mesmo o euro e a libra perderam valor frente ao dólar. “O Brasil é afetado como é afetada a maior parte dos países. Evidentemente, os países emergentes são mais afetados dos que as economias maduras”, disse.

O ministro afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar esse quadro internacional mais adverso, mas aproveitou para alertar que é preciso avançar nas reformas que vão assegurar a melhora das contas públicas. “O Brasil tem uma situação externa muito confortável. Reservas internacionais altas, déficit em conta corrente que é pequeno e amplamente financiado pelo investimento externo estrangeiro, inflação e juros baixos. Mas sempre destacamos que é fundamental persistir nas reformas que vão assegurar a melhoria do lado fiscal”, disse.

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Como mostrou o Estado, o governo tem planos de retomar a votação da reforma da Previdência depois das eleições. Além disso, a equipe econômica se esforça para aprovar o projeto de fim da desoneração da folha de pagamento – medida tomada no governo Dilma Rousseff que reduziu impostos pagos por empresas de diversos setores –, mesmo que para isso tenha de aceitar que mais setores fiquem de fora do aumento da carga tributária.

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Banco Central. Guardia afirmou que, no curto prazo, o Banco Central tem os instrumentos para reduzir o nível de volatilidade da moeda. Nesta sexta, o órgão anunciou uma oferta extra de swap cambial, ferramenta utilizada para intervir no mercado de câmbio (ver página B4). “É uma combinação de atuação de curto prazo para reduzir volatilidade e a resposta de médio e longo prazos é as reformas”, disse. O ministro afirmou que o BC, no câmbio, e o Tesouro Nacional, no mercado de juros, atuam com uma estratégia coordenada. O Tesouro chegou a interromper as negociações de títulos do Tesouro Direto nesta sexta pela manhã.

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A uma pergunta se rumores sobre resultado de pesquisas eleitorais influenciaram o pregão desta sexta, o ministro disse que cada vez mais a questão eleitoral está presente, e o grau de percepção do que vai acontecer no Brasil a partir de 2019 vai afetar o humor do mercado. “Isso faz parte da paisagem. Não tem jeito”, disse.

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