Sem reformas, Brasil mergulhará em crise, prevê Delfim Netto

Sem reformas, como a da Previdência, o Brasil mergulhará em uma crise no futuro. A afirmação foi feita nesta terça-feira à Agência Estado pelo deputado Delfim Netto (PMDB-SP), ex-ministro da Fazenda. Segundo ele, o equilíbrio fiscal do Brasil é "muito precário". "O problema todo do Brasil é o fiscal. Precisamos de muito mais equilíbrio fiscal do que nós temos. A política fiscal deveria estar ajudando muito mais a política monetária", afirmou. Ele disse, no entanto, ter esperança que o próximo governo retome a agenda de reformas já no início do próximo ano. "Mesmo porque se ficar tudo como está o próximo presidente vai pegar uma crise para valer em 2010. Porque não vai ter como fazer um superávit primário que ele precisa para agüentar o buraco da seguridade social. Não importa quem vai ser o presidente. Ele já deve saber que está encomendada uma crise que vai chegar", garantiu o ex-ministro. Crescimento Quanto ao crescimento econômico, Delfim Netto admitiu que esperava um uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) maior que 4% para este ano, mas mudou suas projeções. "Já não estou tão confiante. Minha convicção é que houve pequena redução no segundo trimestre e que vamos ter uma ´surpresinha´ quando sair o número. Ele está apontando alguma coisa abaixo dos 4% já. O segundo trimestre vai mostrar um crescimento menos vigoroso que o primeiro", avaliou.O deputado completou que a volatilidade (oscilação) internacional ainda não acabou. "Essa volatilidade é simplesmente um soluço. Na verdade, o mundo está com um desequilíbrio importante que é o desequilíbrio americano. Isso se chama ´softlanding´", explicou. O ex-ministro da Fazenda voltou a falar que os juros do Brasil estão muito altos. "Vejo com muita desesperança (a política monetária)", Ele disse que mesmo que os cortes de juros continuem, com queda de 0,50 ponto percentual até o final do ano, ainda assim a situação dos juros é critica. "Vamos continuar com taxa de juro real de 10%, o que é um escândalo", afirmou. Isso não significa que Delfim Netto discorde da maneira de o Banco Central atuar. "O BC está fazendo o que pode. Ele precisava hoje de um grande auxílio fiscal". (Colaborou Milton da Rocha Filho)

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