Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Sem reformas, Brasil tende a enfrentar crise em contas governamentais

Se o próximo governo não realizar reformas que prevejam, por exemplo, a desvinculação do salário mínimo dos benefícios da previdência oficial, o estabelecimento de uma idade mínima para os aposentados da Previdência Social e a instituição de um plano de corte na folha de salários do setor público, o Brasil tende a enfrentar uma crise nas contas governamentais no médio prazo. Essa é a visão do economista Raul Velloso, exposta em palestra nesta segunda-feira no 1º Seminário Internacional de Crescimento Sustentável, promovido pela Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi).De acordo com Velloso, o modelo econômico que prevalece no País, o qual põe em prática a expansão da carga tributária como principal fonte de equilíbrio das contas públicas, está atingindo seu limite. Um dos sinais disso, para o economista, é a queda sistemática do superávit primário e o uso, pelo governo, de instrumentos pouco convencionais para atingir a meta."Agora, inventaram uma nova. Na falta de uma outra receita, o governo resolveu aumentar os dividendos das estatais, de R$ 4 bilhões, na média, para R$ 11 bilhões neste ano", disse Velloso, ressaltando que o modelo de metas de superávit primário aproxima-se do seu esgotamento, caso não haja um ataque efetivo dos gastos correntes do governo. "O problema é o modelo que está errado. Porque, ao invés de se fazer o superávit pela queda do gasto corrente, se faz pelo corte do investimento e aumento da carga tributária", explicou, destacando que a participação dos gastos obrigatórios no total de despesas da União subiu, de 47%, em 1987, para 89% em 2005.Para o economista, não há outra saída para o equilíbrio das contas públicas, senão a realização de uma reforma da Previdência ampla logo nos primeiros momentos da próxima gestão. Caso isso não se concretize, para Velloso, o setor privado deve aguardar mais uma rodada de aumento na carga tributária."Infelizmente, não tenho outra notícia para dar", disse ele, para quem a relação do número de beneficiários/contribuintes na União é exemplar para demonstrar o desajuste que a Previdência vem provocando nas contas públicas. "Na União, nós temos 1 milhão de ativos para 1 milhão de inativos, ou seja, uma relação de um para um. Como os ativos contribuem, em média, com 9% de seus salários, é o equivalente a dizer que 9% estão pagando o salário de 100%", afirmou, lembrando que, na década de 50, a relação entre beneficiários/contribuintes, na Previdência Social, era de oito para um, número que atingiu 1,4 para 1 em 2004.Caso perdure esta situação, Velloso vê no cenário de médio prazo uma possível crise de confiança no pagamento da dívida pública por parte dos investidores, dado que, dificilmente, o governo terá sucesso na reedição de superávits primários ao longo dos próximos anos. "Sinceramente, estamos longe de termos fundamentos sólidos", concluiu.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.