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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Sem refresco

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) mostrou ontem que não há alívio barato para apertos do mercado financeiro, especialmente quando, na leitura dos dez membros do Fomc, o Comitê de Política Monetária, não há nada de errado no setor produtivo.Nos últimos dias, os analistas internacionais haviam criado a expectativa de que, na reunião de ontem, o Fed agiria como nos tempos em que era dirigido por Alan Greenspan, sempre disposto a aliviar a política monetária (política de juros) para contrabalançar convulsões do mercado. Não contavam com redução imediata dos juros básicos, que de resto permaneceram nos 5,25% ao ano, nível em que estão desde junho de 2006. Mas, no comunicado emitido ontem, esperavam indicações claras de que as próximas reuniões (18 de setembro e 31 de outubro) poderiam trazer as primeiras reduções dos juros. E redução dos juros é sinônimo de injeção de vitamina monetária na economia, o que favoreceria a recuperação dos mercados.O Fed não foi nem um pouco condescendente com essas agruras. Reconheceu que o mercado opera com volatilidade, mas, pela terceira vez seguida, deixou claro que a principal preocupação na condução da política monetária continua sendo a inflação.A reação do mercado foi tão volátil como tem sido seu comportamento nos últimos dias. Não gostou de ser tratado a pão e água, aparentemente porque estava acostumado com os confortos repassados pela administração anterior do Fed. Por isso, a primeira reação foi bater nas opções de risco. As bolsas acusaram o que lhes pareceu um golpe e passaram a operar em baixa.Mas depois o mercado parece ter prestado mais atenção a outro ponto do comunicado, de grande importância para o entendimento da crise.Logo na abertura, lá ficou dito que ''''parece provável que a economia continue a se expandir a passo moderado nos próximos trimestres, suportada por crescimento sólido no emprego e na renda e pela robustez da economia global''''.Os apressadinhos parecem ter pulado a frase, sem entender a sutileza. O Fed está dizendo que a indigestão dos mercados nada tem a ver com a economia real, que segue imperturbada e dispensa refrescos.Ora, tudo o que os mercados vinham temendo nas três últimas semanas era a possibilidade de que o setor produtivo se deixasse contaminar pelos problemas na área do crédito imobiliário de risco (subprime), que poderiam estar afetando o consumo, o setor produtivo e, na condição de responsável por 25% da renda global, a economia do Planeta.Nesse novo contexto, a informação de que a principal preocupação do Fed continua a ser a inflação passou a ser positiva. Fica entendido que a economia real vai bem. Esta é a primeira manifestação do Fed de que a crise não exige cuidados especiais.Foi por isso que os mercados viraram. Se não aparecer nenhuma lambança nova no mercado subprime, a atual turbulência tem tudo para refluir.

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