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Sem saques nos fundos, imposto não será reduzido

A equipe econômica recomendou ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que só reduza a tributação dos fundos de investimento no momento em que for detectado algum movimento migratório desse tipo de aplicação financeira para a caderneta de poupança. Nos bastidores, o Banco Central (BC) tem feito pressão para que a medida seja anunciada logo, como pré-requisito para a redução da taxa básica de juros, a Selic, de 10,25% para a casa dos 9% a 9,5% ao ano, mas os técnicos da Fazenda avaliam que, por enquanto, não há nenhuma necessidade de alterar o Imposto de Renda (IR) dos fundos para mantê-los competitivos com a poupança.

AE, Agencia Estado

20 de maio de 2009 | 08h12

A linha de corte que determina quando a poupança passa a ser mais vantajosa que os fundos de investimentos não depende só da Selic, mas, principalmente, das taxas de administração cobradas pelos bancos e da composição das carteiras dos fundos. Alguns investidores especiais conseguem rentabilidade igual ou até superior a 100% da Selic porque aplicam elevadas somas e os bancos não adquirem apenas títulos atrelados a essa taxa. Existem títulos pré-fixados que rendem mais de 12% ao ano e outros atrelados aos índices de preços, que oferecem rentabilidade semelhante. Por outro lado, existem investidores com valores baixos de aplicação que obtêm rentabilidade muito inferior à Selic. Em abril, por exemplo, os fundos oferecidos pelos maiores bancos tiveram um ganho bruto que variou de 0,44% no mês até 0,91%. Ou seja, alguns fundos chegam a render o dobro de outros.

Na prática, as simulações feitas pela equipe econômica mostram que o investidor de fundos que obtém 100% da Selic e paga 20% de IR (a alíquota varia de 15% a 22,5%, dependendo do prazo) terá vantagem sobre a poupança enquanto a Selic estiver acima de 8% ao ano. Quando a Selic estiver em 8%, por exemplo, esse investidor estará tendo rendimento líquido de 0,51% ao mês, enquanto a poupança estará pagando 0,50% mais uma pequena remuneração pela TR (menos de 0,05% ao mês). Quem aplica em fundos mais populares e obtém retorno médio de apenas 70% da Selic, por exemplo, já está tendo prejuízo em relação à poupança, uma vez que seu rendimento líquido oscila em torno de 0,46% - menos que o 0,5% da caderneta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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