Sem socorro, Sete Brasil pode deixar perda de R$ 28 bi

Cálculo da própria empresa aponta que, em caso de quebra, prejuízo deve atingir bancos, fundos de pensão e estaleiros

Josette Goulart, O Estado de S. Paulo

08 Fevereiro 2015 | 02h05

SÃO PAULO - Um prejuízo de mais de R$ 28 bilhões para bancos, fundos de pensão e estaleiros. A extinção de 150 mil empregos. O atraso da construção das sondas para exploração do pré-sal pela Petrobrás. Este é o cenário traçado pela própria Sete Brasil, empresa criada para gerenciar a construção de sondas do pré-sal, caso o governo não consiga fechar a operação salvamento da companhia. O acordo estava prestes a ser assinado com Petrobrás e BNDES quando a diretoria da estatal pediu demissão e novas informações da Operação Lava Jato surgiram, implicando a Sete Brasil.

Na sexta-feira, o presidente da Sete, Luiz Eduardo Carneiro, conversou com alguns executivos dos estaleiros e informou que a situação era crítica porque a denúncia de que houve pagamento de propinas nos negócios com as 28 sondas contratadas pela Petrobrás, em acordos de US$ 25 bilhões, deixou os bancos em situação difícil de poder assinar qualquer financiamento de longo prazo.

A indicação de Aldemir Bendine, até então presidente do Banco do Brasil, para assumir a presidência da Petrobrás, foi entendida como parte da tentativa de salvar o acordo e evitar que a Petrobrás cancele o contrato ou suspenda negócios, como aconteceu com a lista de 23 companhias acusadas de cartel. Bendine, que chegou a ser cogitado para presidente do BNDES, tinha sido mantido no BB com a missão de salvar as empresas envolvidas na Lava Jato, segundo fontes próximas da instituição.

Desde novembro, a Sete Brasil está sem dinheiro em caixa. Sem crédito na praça, interrompeu o pagamento das sondas para os cinco estaleiros que contratou e que já estão construindo os equipamentos. Os seis bancos que emprestaram US$ 4,3 bilhões, em empréstimos de curto prazo, também começam a ficar preocupados.

Segundo documento enviado no início de janeiro aos acionistas da companhia pela área de relações com investidores, o cenário em caso de quebra é devastador, já que a companhia não tem ativos, pois apenas contratou a construção das sondas. Os bancos perdem os US$ 4,3 bilhões. Os acionistas, entre eles os fundos de pensão Previ, Petros, Funcef e Valia, além dos bancos BTG Pactual, Bradesco e Santander, perdem os R$ 8,3 bilhões que aportaram. Os estaleiros, três deles liderados pelas construtoras brasileiras e que investiram em função dos contratos, perdem R$ 5,5 bilhões. O FI FGTS perde os quase R$ 2,5 bilhões que emprestou.

No documento, o cenário foi traçado para convencer os acionistas a assinar os termos dos contratos com estaleiros para que a Petrobrás não desistisse da compra de sete sondas, como já ameaçou fazer. Segundo conta um dos acionistas, os executivos que foram demitidos, e agora estão envolvidos na acusação de pagamento de propinas, alteraram os termos dos contratos com os estaleiros, favorecendo as construtoras, sem o aval dos acionistas. Alguns reclamam ainda que desde o ano passado, quando Pedro Barusco, ex-diretor da Sete, assinou acordo de delação premiada dentro da Lava Jato, era para ter sido feita uma auditoria interna para apurar irregularidades e que até agora nenhuma satisfação lhes foi dada.

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