Sem surpresas, Copom mantém juro básico em 11,25%

Em decisão unânime, o Comitê dePolítica Monetária do Banco Central decidiu nesta quarta-feiramanter a taxa básica de juro em 11,25 por cento ao ano, emlinha com as expectativas do mercado. Foi a quarta reunião consecutiva em que a Selic ficouinalterada. "O comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenáriomacroeconômico até a sua próxima reunião, para então definir ospróximos passos na sua estratégia de política monetária",afirmou o BC em breve comunicado. O comentário é o mesmo feitona reunião anterior do Copom, em janeiro, com exceção dapalavra "atentamente", introduzida agora. Pesquisa Reuters feita junto a 29 instituições financeirasna última semana mostrou que todas apostavam em juro estável,em meio a preocupações com a demanda aquecida. Na ata de sua última reunião, o Copom reforçou anecessidade de "prudência" e indicou estar preparado paraelevar os juros caso a inflação ameaçasse se distanciar dasmetas. Os índices de inflação de janeiro e de fevereiro, noentanto, mostraram arrefecimento dos preços e analistaspassaram a descartar a possibilidade de um aumento dos juros nofuturo próximo. "Ainda não há informação forte o suficiente para justificaruma mudança de direção, para um lado ou outro. O balanço deriscos mostrou uma melhora desde a última reunião, mas asituação de incerteza permanece", afirmou o economista-chefe doLópez León Markets, Flávio Serrano. "A dúvida que o Banco Central tem expressado, se a economiavai crescer muito além do seu potencial ou não, permanece.Então é natural que eles esperem e observem o desenvolvimentodo cenário", acrescentou. A maioria dos economistas consultados pela Reuters nasemana passada (18 analistas) acreditava que a Selicpermanecerá em 11,25 por cento até o final do ano. Seisapostavam em uma elevação e outros seis em queda. "Por mais que haja sinais de pressões inflacionárias, ocenário atual não é tão negativo a ponto de requerer um ajustedos juros agora. A apreciação recente do câmbio é favorávelpara a inflação, e os últimos índices semanais (de inflação)vieram mais baixos. O mais provável é que os juros sejammantidos nesse patamar até o final do ano", disse oeconomista-chefe do Banco Schahin. Segundo pesquisa semanal do BC, o mercado prevê que ainflação ficará em 4,41 por cento em 2008 e em 4,22 por centono ano que vem, frente a uma meta de 4,5 por cento. A próxima reunião do Copom está agendada para os dias 15 e16 de abril.

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