José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Sem vagas no Brasil, jovem vai tentar a sorte no Canadá

Desde que se formou em relações públicas, em dezembro, André Vernilo, de 21 anos, só foi chamado para uma entrevista de emprego – pouco para quem chegou a enviar, em apenas um dia, 50 currículos pelo LinkedIn, uma rede social de contatos profissionais. 

O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2016 | 22h00

A dificuldade de André ilustra um dos piores momentos dos jovens no mercado de trabalho nas últimas décadas. Na região metropolitana de São Paulo, a Pesquisa de Emprego e Desemprego, feita pela Fundação Seade e pelo Dieese, mostrou que o desemprego entre a população de 16 a 24 anos chegou a 31% em fevereiro. “Essa taxa só tem comparação com o que ocorreu em 2004”, afirma Alexandre Loloian, economista da Fundação Seade e coordenador da PED. “Em abril daquele ano, a taxa de desemprego entre os jovens chegou a 34%. Perdeu-se todo o avanço que houve nesse período”, diz.

Entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2016, os trabalhadores com idade entre 16 a 24 anos perderam 146 mil postos de trabalho só na região metropolitana de São Paulo. E o contingente de desempregados aumentou em 173 mil pessoas.

No caso de André, a atual falta de perspectiva parece ser maior do que qualquer esperança de melhora. Se os planos dele saírem como o planejado, em junho, deve se mudar para Toronto, no Canadá, onde vai morar com um primo. “Está quase tudo certo. Só preciso do visto”, diz André. “Inicialmente, vou para estudar inglês e tentar arrumar coisa por lá. A ideia é não voltar para o Brasil.”

A situação fica ainda mais complicada quando o sustento da família depende do jovem. Casado e com um filho, Mauro Sérgio da Silva, de 23 anos, perdeu o emprego de pedreiro há quatro meses. “Está muito difícil, não tem vaga. Tenho vários colegas na mesma situação”, conta. O jeito foi cortar os gastos. “A gente deixou de comprar algumas coisas, como biscoito”, diz. “E quando saímos para passear, levamos o lanche.” 

Legado negativo. O desemprego entre os jovens tende a ser mais elevado do que o restante da população. A mesma pesquisa que mostrou a desocupação entre os jovens acima de 30% apontou que a desocupação total na região metropolitana foi de 14,7%. “Os jovens ficam mais desempregados do que os adultos porque entram e saem do mercado com mais frequência e ficam pouco tempo no emprego”, diz Naercio Menezes Filho, coordenador do centro de políticas públicas do Insper.

A desocupação entre jovens costuma deixar um legado negativo para qualquer economia. A ausência de um emprego faz com que o capital humano que o jovem adquiriu com os anos de estudo seja depreciado, por exemplo. “Quanto mais tempo ele ficar desempregado, maior é essa perda”, diz Menezes. “E ele deixa de acumular capital específico, que é o treinamento da empresa.”


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