Roberto Abreu
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Semana Brasil é aposta de comerciantes para alavancar vendas

Associações estão otimistas com a possibilidade de queimar os estoques nas liquidações da segunda edição do evento, que acontece entre os dias 3 e 13 de setembro

Luísa Laval, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2020 | 19h08

Setores do varejo estão otimistas com a segunda edição da Semana Brasil, idealizada no ano passado pelo governo federal para reforçar as vendas no feriado da Independência. De 3 a 13 de setembro, lojas prometem organizar promoções e liquidações de estoques.

A ação é coordenada pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que representa 69 grandes empresas varejistas de diferentes setores. Mesmo com a pandemia, comerciantes acreditam que a Semana do Brasil poderá ter papel importante na retomada do comércio, após vendas mais fracas no Dia das Mães e dos Pais

O presidente do IDV, Marcelo Silva, diz que a Semana vai ser um marco para a retomada do comércio, que já conta com mais locais reabertos e protocolos estabelecidos de segurança. “Nós precisamos reconquistar a confiança do consumidor, com a segurança em primeiro lugar”, diz. “Neste ano, expandimos a duração da semana justamente para não provocar aglomerações e estamos orientando que os lojistas sigam todos os protocolos.”

Silva também acredita que a tendência é que a Semana Brasil se consolide no calendário comercial, e que cada vez mais será vista como uma data importante. “O comércio tem de motivar o consumidor a comprar, dar um motivo para isso. Estamos consolidando a Semana Brasil cada vez mais. A Black Friday levou oito anos para vingar no Brasil, então também vamos conquistando espaço."

Mesmo com as restrições da pandemia, o setor varejista está otimista com a movimentação de clientes durante a Semana Brasil. “Não digo que vai ser melhor do que o ano passado, em função da pandemia, mas acreditamos que o movimento em relação a uma semana normal, sem eventos, acredito que a gente deva ter um crescimento de 15% a 20% em relação a uma semana normal”, afirma Nabil Sahyoun, presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop).

As lojas de shopping devem oferecer descontos de até 50%, segundo levantamento da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). A entidade diz que espera uma alta de 10% no fluxo de visitantes em relação a semanas anteriores, e que 60% dos lojistas devem oferecer algum tipo de promoção. Além disso, 33% dos shoppings devem preparar alguma estratégia especial, como utilizar influenciadores para apresentação de promoções em lives e cupons de descontos.

“Os shoppings estão colocando outros canais, como delivery, drive-thru e marketplaces. Vai ser uma data muito mais digitalizada do que no ano passado, com anúncios em Instagram e Facebook. Mesmo com as restrições de horários e serviços, imaginamos que vai ser uma data positiva”, afirma Glauco Humai, presidente da Abrasce.

Sahyoun acredita que o consumidor se sente mais à vontade para circular por lojas, além de preparar o varejo para os eventos do fim do ano, como a Black Friday e o Natal. “Esse evento é atrativo, porque as lojas estarão com liquidação muito forte, até porque nós já estamos entrando na nova coleção da primavera. Esta semana vai ser importante para desovar estoques, e as pessoas já sabem lidar um pouco melhor com a pandemia”, diz. 

Apesar de não apresentarem números consolidados de empresas participantes da Semana Brasil, associações comerciais acreditam que haverá pelo menos 15% a mais de adesão por parte dos empresários neste ano. “No ano passado, muitos lojistas reclamaram que o lançamento foi muito rápido e a divulgação não foi como era esperado. Neste ano, as entidades estão fazendo uma divulgação melhor, e mais gente vai poder participar”, aponta o presidente da Alshop.

“É uma data que ainda está se consolidando, ela ainda precisa ganhar tração, mas acho que esse ano já vai ter maior volume do que no ano passado”, aponta Humai.

O Instituto Foodservice Brasil (IFB) também acredita que a Semana Brasil será positiva para o setor de alimentação, que apresentou resultados positivos na edição do ano passado. “O sucesso deve se repetir dentro deste novo cenário que o mercado está inserido, principalmente porque esta será a primeira grande data do varejo após a reabertura do comércio”, afirma Ely Mizrahi, presidente do IFB.

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