Semana de negociações decisivas para Argentina

Começa hoje uma semana decisiva para a Argentina e suas negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O chefe da missão do FMI, o inglês John Thornton, está desde ontem em Buenos Aires com uma comissão de especialistas internacionais. Eles chegam ao país em plena guerra entre o ministro de Economia, Roberto Lavagna, e o presidente do Banco Central, Aldo Pignanelli, e têm de solucionar o problema do sistema financeiro argentino, incluindo o término do "corralito". O grupo já se reuniu com o ministro e hoje terá um encontro com o presidente Eduardo Duhalde.Uma fonte da Casa Rosada disse que o governo sabe que o FMI entregou aos membros da comissão um documento esclarecendo a sua posição sobre a situação argentina. O relatório secreto toma partido do BC, na disputa que Pignanelli mantém com o ministro Lavagna. Pignanelli propõe liberar as contas correntes e poupanças, realizar uma nova reprogramação das aplicações a prazo fixo, esticando o cronograma de devolução ou impondo bônus compulsórios. "A idéia tem o apoio do presidente Duhalde e foi vista com bons olhos pelo FMI", disse uma alta fonte do governo à Agência Estado.PressãoO problema do plano do BC é que com mais dinheiro na mão do argentino desiludido com o sistema financeiro, com o governo e com a economia do país, a corrida pelo dólar será inevitável. A pressão sobre a moeda poderá disparar os preços e abrir caminho para a hiperinflação. Estes são os argumentos do ministro Lavagna para criticar a proposta de seu rival no controle do poder da economia argentina. Vale lembrar que além de ser a favor deste plano, o FMI ainda é contra às intervenções do BC no mercado de câmbio para controlar o dólar.Levando-se em conta o baixo nível das reservas e, portanto, do poder de fogo reduzido do BC para segurar a cotação do dólar, a posição do FMI sobre a liberação do "corralito" é somente uma forma de fazer valer a opinião do organismo. O documento do FMI também menciona a necessidade de dar completa autonomia e faculdades extraordinárias ao Banco Central para que este conduza a política monetária. Essa mesma fonte revelou, na última sexta-feira, que o "Fundo estava muito satisfeito com a independência do BC".RespostaMas Lavagna não deixou por menos. Entregou outro documento, com sua versão dos fatos, à comissão de notáveis. Os números de Lavagna não deixam dúvidas sobre o risco que o sistema corre. Até o final do ano sairão do sistema 17 bilhões de pesos, 2 bilhões a mais do que estava previsto no programa monetário. Mas, por conta dos processos judiciais, sairão 6 bilhões de pesos, contra 3,5 bilhões previstos inicialmente. Por isso, Lavagna considera perigoso liberar o dinheiro das contas correntes e poupanças enquanto o governo não conseguir um acordo com a Justiça para evitar as sentenças favoráveis à saída do "corralito".O documento do ministro diz que com a saída de tanto dinheiro, a pressão sobre o dólar não poderá ser controlada pelo BC. Hoje, Hans Tietmeyer, ex-presidente do Banco Central alemão; Andrew Crockett, ex-titular do Banco Central do Canadá; Luis Rojo, também ex-presidente do BC da Espanha, e John Crow, gerente-geral do Banco Internacional de Pagamentos da Basilea, se reunirão com o ministro e o presidente Duhalde, e depois com o Banco Central. Amanhã, a agenda estará dedicada aos banqueiros, economistas e parlamentares.Leia o especial

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