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Louise Barsi explica como viver de dividendos seguindo o Jeito Barsi de investir

Semana de nervosismo nos mercados

O nervosismo tomou conta dos mercados nessa semana. O encaminhamento da sucessão presidencial é o pano de fundo das incertezas apresentadas pelos investidores nos últimos dias, mas a preocupação com a administração da dívida pública do País tem provocado estragos no desempenho dos mercados. O mercado cambial reflete essas preocupações: a alta do dólar é de 5,72% em junho, com apenas quatro dias de negócios. No ano, a valorização da moeda norte-americana frente ao real é de 14,85%. O dólar é um ativo procurado sempre que há instabilidade nos mercados. É considerado seguro e é usado como forma de proteção. Com as incertezas em relação ao encaminhamento do processo eleitoral, o aumento da taxa de risco-país, e a desvalorização dos papéis brasileiros no exterior, o investidor passa a alocar mais dólares em carteira. Nos últimos dias, avaliações de agências de classificação de risco trouxeram mais nervosismo para os mercados. A Moody´s rebaixou a perspectiva para o rating soberano do Brasil de "positivo" para "estável". A justificativa apresentada no relatório da agência Moodys é de que a dificuldade do governo em colocar títulos com prazo mais longo provoca uma concentração de vencimentos no primeiro semestre de 2003.A taxa de risco-país também subiu muito nos últimos dias. Ontem, ultrapassou os 1.200 pontos base. A taxa de risco país mede a confiança dos investidores estrangeiros em relação à capacidade do País em honrar seus títulos. A desconfiança em relação aos papéis públicos contagia a percepção dos investidores em relação aos títulos privados. Com isso, as empresas brasileiras têm dificuldade para colocar seus títulos no exterior. Ou seja, a entrada de dólares para o País é menor, contribuindo para a escalada do dólar. Outro motivo para a alta da moeda norte-americana foram as perdas nos fundos de investimento de renda fixa. Isso porque muitos investidores que tinham recursos em fundos de renda fixa prefixada e fundos referenciados DI (pós-fixados) efetuaram saques expressivos. De acordo com dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), em maio, esse volume foi de R$ 2,5 bilhões. Segundo analistas, parte desses recursos pode ter migrado para os fundos cambiais ou para a compra de dólares no mercado, aumentando a demanda por moeda norte-americana. Como a entrada de recursos é menor, o movimento maior de demanda pressiona para cima as cotações do dólar.Recomendações ao investidorQuem tem dívidas em dólar ou pretende viajar ao exterior deve comprar moeda norte-americana ou investir em fundos cambiais independentemente de qual seja o cenário. Vale lembrar que a proteção oferecida pelos fundos cambiais não é total, devido à incidência de uma alíquota de 20% de Imposto de Renda sobre a valorização da cota em reais. Isso quer dizer que um quinto da alta do dólar é retida na forma de imposto, não chegando até o bolso do investidor.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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