Semelhança explica interesse no Amapá

A presença de petróleo abundante na Guiana Francesa explica a disputa pelos blocos que a ANP ofertou no Amapá. Praticamente inexplorada pela indústria petrolífera, a Bacia da Foz do Amazonas, da qual o Amapá faz parte, passou a ser cobiçada pelas grandes petroleiras há dois anos, quando no território ultramarino da França foi achado farto reservatório de óleo.

Sérgio Torres, de O Estado de S. Paulo, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2013 | 02h05

O raciocínio das empresas é lógico. Se no offshore da Guiana há muito petróleo, o litoral do Amapá, de similar formação geológica e muito próximo, também deve ter. Afinal, a costa guianense é a continuação da margem equatorial brasileira, que tem a Bacia da Foz do Amazonas em sua extremidade esquerda.

Consultor do segmento, o geólogo Pedro Zalán alertava, há um ano, para o potencial das reservas na região. O autor do artigo "O potencial petrolífero das bacias sedimentares brasileiras além do pré-sal" sustenta que a bacia oferece possibilidades muito maiores do que o campo da Guiana, estimado em 800 milhões de barris de óleo recuperáveis. "A geologia do litoral da Guiana se estende para a costa do Amapá. Isso está comprovado pelas linhas sísmicas e estudos feitos. Há grande possibilidade de depósitos de petróleo serem encontrados no Amapá. As petroleiras sabem disso."

Outro fator que atrai o empresariado é a existência de jazidas na costa oeste da África. Nos últimos seis anos, houve pelo menos 15 descobertas de campos nas águas profundas africanas, especialmente em Gana. O campo de Jubilee tem reserva estimada de 1 bilhão de barris de óleo e 1 trilhão de pés cúbicos de gás. As características geológicas da região são muito parecidas com as da margem equatorial brasileira, do outro lado do Atlântico.

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