Seminário discute desafio da inovação na indústria

Depois de ter sobrevivido à abertura comercial dos anos 90, a indústria nacional está frente a um novo desafio, a Economia do Conhecimento. "Quando Brasil, China e Índia chegam a ter indústria já não é isso que vale", lamentou o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Antônio Barros de Castro.Nesta nova fase, a importância do capital fixo e das fábricas diminui muito e empresas como IBM, NEC e Motorola terceirizam suas manufaturas para se dedicar a desenvolvimento de produtos e marketing. O assunto foi discutido no seminário Inovação e Desenvolvimento, realizado em homenagem aos 35 anos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)."A excelência fabril, no caso da eletrônica, por exemplo, já não vale mais nada. Descobriu-se que você pode realmente separar a produção das demais funções, e a parte mais importante são as outras", afirmou Barros de Castro, que atualmente é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Régis Bittencourt, do Instituto de Tecnologia Genius, patrocinado pela Gradiente, confirma. Bittencourt contou que um dos problemas da Gradiente é o alto investimento em instalações industriais. "Os chineses estão entrando sem investir nada em produção. Eles terceirizam a produção toda por essas firmas especializadas", disse, referindo-se a indústrias como Flextronics, Solectron e Celestica, especializadas em manufaturar para outras marcas, seguindo as especificações das empresas-clientes.Nesse novo cenário, já uma realidade concreta em alguns setores e ainda em formação em outros, a inovação tecnológica é a chave. "Inovação para nós é questão de sobrevivência", disse Bittencourt falando pelo setor eletroeletrônico. "Estamos passando para uma fase onde a agregação do valor se dá via inovação, via conhecimento", avalia Barros de Castro. De acordo com o economista, até agora as empresas brasileiras, de maneira geral, não precisavam investir em pesquisa, e onde precisavam obtiveram sucesso, como no caso da tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas, da aeronáutica ou da agricultura tropical."A pergunta é, ?daqui para onde?? Vamos continuar lutando para não perder mercado ou vamos lutar para criar oportunidades? São duas rotas distintas e a inovação é o ponto crucial", disse Castro. Citando Guimarães Rosa, ele argumentou que "sapo não pula por belezura, é por precisão". Mas agora, que é necessário, "temos indústrias e setores produtivos resolvidos, mas estamos engatinhando em inovação". O diretor-executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Augusto Coelho Fernandes, concordou e disse que a competição no ambiente econômico é um componente para a inovação. "Se não tenho pressão, não vou inovar", afirmou. Segundo Fernandes, "a inovação é uma decisão econômica das empresas, e hoje o conjunto econômico é favorável à inovação".Fernandes defendeu tratar da inovação como conceito amplo, citando um segundo o qual ?inovação? é adotar o que é novo para a empresa. Disse também que , segundo pesquisa realizada pela CNI e pela Finep com 540 empresas e a ser divulgada na próxima semana sobre o que as indústrias entendem por inovação, ficou constatado que, para alguns empresários, adquirir capital fixo novo ainda é a estratégia número um de inovação.Para Fernandes, o Brasil tem insitituições construídas tanto na pesquisa quanto na produção. "Precisamos é estimular a troca entre centros de pesquisa e centros produtores. É o que falta", afirmou, elogiando em seguida o projeto de lei de inovação que tem o objetivo de facilitar essa troca. O ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardemberg, que também participou do seminário, disse que o governo deve encaminhar o projeto da Lei de Inovação para o Congresso Nacional até agosto, para que o Congresso possa aprová-lo até novembro. Ele destacou dois pontos da lei. Um permite que os pesquisadores das universidades possam trabalhar em empresas privadas sem perder vantagens trabalhistas. "Hoje estamos amealhando e represando conhecimento nas universidades e instituições de pesquisa", afirmou o ministro.Outra mudança está relacionada ao aproveitamento das patentes. "Essa lei vai permitir a divisão de rendimento das patentes sendo um terço para o pesquisador, um terço para o departamento dele e um terço para a universidade", disse o ministro. Isso, segundo ele, deve estimular pesquisadores e universidades em fazerem mais patentes. "Atualmente se um pesquisador tem uma patente registrada no nome dele, isso não conta nada no currículo ou para a carreira, o que conta são os artigos, e é por isso que produzimos tantos artigos e poucas patentes", afirmou.

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