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Semp Toshiba fecha fábrica de informática na BA

Na tentativa de cortar custos e diminuir o prejuízo em seu balanço, empresa vai concentrar a produção de computadores em Manaus

MÁRCIA DE CHIARA , O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2013 | 02h17

A Semp Toshiba Informática encerrou as atividades na Bahia ontem. Depois de quase 14 anos, a fábrica de notebooks e desktops, localizada em Águas Claras, região metropolitana de Salvador, foi transferida para a Zona Franca de Manaus (AM), onde a empresa produz aparelhos de áudio e vídeo.

"Estamos buscando maior eficiência operacional. Tínhamos duas unidades fabris de informática (Salvador e Manaus) e agora vamos concentrar as nossas operações em Manaus", afirma o vice-presidente da Semp Toshiba, Ricardo de Santos Freitas. Ele observa que alguns trabalhadores que desempenhavam funções em áreas de chefia em Salvador poderão ser aproveitados em Manaus ou em São Paulo. Mas a maioria dos 200 funcionários será demitida.

A ida da unidade de informática para a Zona Franca de Manaus é mais um passo na reestruturação do grupo, que foi pioneiro na produção de TVs. As mudanças começaram em maio deste ano, com a volta para o dia a dia da empresa de Affonso Brandão Hennel. Ele deixou sua aposentadoria para tentar recolocar no rumo a companhia fundada por seu pai em 1942, que vinha acumulando anos sucessivos de prejuízos.

A divisão de informática foi um dos fatores que desequilibraram o grupo. Do prejuízo de R$ 109 milhões registrado no ano passado, mais da metade veio da informática (R$ 60 milhões). O segmento também perdeu importância no faturamento global. Contribuiu com R$ 420 milhões ou 28% para a receita de R$ 1,5 bilhão em 2012.

No passado recente, a divisão de informática era tida como a joia da coroa da companhia: chegou a faturar perto de R$ 800 milhões, quando a receita total do grupo passava de R$ 2 bilhões. Nessa época, a fábrica de Salvador empregava 500 trabalhadores e produzia 1 milhão de computadores por ano.

Segundo Freitas, a meta é trazer o segmento de informática para o nível atingido no passado. Isto é, responder por um terço do faturamento. Outro objetivo é ampliar as vendas nesse segmento, que reúne itens que são objeto do desejo dos consumidores, como o tablet.

Economia. A transferência da linha de produção de informática de Salvador para Manaus deve proporcionar uma economia de recursos para a empresa, observa o vice-presidente, sem especificar o tamanho da sinergia. Ele diz que será eliminada duplicidade de funções e reduzidos os custos de transporte das placas usadas na fabricação de computadores. As placas, produzidas em Manaus, eram levadas para Salvador. Agora essa despesa será eliminada.

Atraída pela demanda local, desde abril deste ano, a empresa fabrica na Zona Franca de Manaus tablets e notebooks. Em Salvador, eram produzidos outros modelos de notebooks e desktops. Com saída de Salvador, a Semp Toshiba deixa o mercado de computadores de mesa e concentra a produção em notebooks e tablets.

"As vendas de tablets têm crescido de forma excepcional", observa Freitas. A mudança do perfil do mercado de informática é nítida nos dados do IDC, consultoria especializada em tecnologia. De janeiro a setembro deste ano, foram vendidos 5,3 milhões de tablets da indústria para o varejo, 158% a mais que o mesmo período de 2012. Já as vendas de notebooks encolheram 10%, com 6 milhões de unidades e de desktops caíram 13% (4,3 milhões).

Segundo Pedro Hagge, analista de mercado do IDC, a venda de tablets deve ultrapassar a de notebooks neste trimestre. "A transição deve ocorrer agora." A expectativa é que entre outubro e dezembro, a indústria venda 2,6 milhões de tablets e 2,2 milhões de notebooks.

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