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Sempre a Grécia

A Grécia deverá pagar no dia 30 deste mês a soma de 1,6 bilhão. Ora, ela não tem esse dinheiro em caixa. Se pretende evitar a moratória deve se entender, até essa data, com seus credores europeus sobre um pacote de ajuda de 7,2 bilhões já previsto, mas ainda não aprovado.

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2015 | 02h02

Com esse objetivo, os ministros da zona do euro vão se reunir no dia 18. Farão eles um gesto para salvar a Grécia? Caso contrário, os 7,2 bilhões desaparecerão. E a Grécia estará no precipício.

Podemos dizer que a situação não é inédita. Há anos, a Grécia caminha na corda bamba. Ela ameaça cair, e cai, mas no último momento mãos caridosas, as dos credores (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) seguram-na no ar e a salvam, lhe oferecem calmantes, um caldo quente e alguns doces e a Grécia, mão no coração, compromete-se a fazer as reformas que os credores exigem.

Os credores retornam a Washington, Bruxelas, Frankfurt. E a Grécia, ao seu sono. E uma nova crise acontece. Mas, desta vez, tudo indica que os credores estão tendo uma crise de nervos. Os representantes do FMI já retornaram o avião para Washington.

Furiosos. O presidente do Conselho Europeu de Bruxelas, Donald Dusk, disse que "não temos tempo para jogar. É urgente que alguém apite o fim da partida". O presidente do Bundesbank (banco central alemão) Jens Weidmann, ameaçou: "O risco de uma suspensão dos pagamentos aumenta a cada dia".

A essas ameaças, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, responde à sua maneira: retornou tranquilamente a Atenas para festejar a reabertura da TV pública grega. E constatou que os gregos, na sua maioria, estão agradecidos por ele fazer frente àqueles que os consideram "exploradores", os senhores e senhores do FMI, do BCE e de Bruxelas. "Continuarei a lutar", declarou Tsipras. "Por vocês e suas justas reivindicações!" . Aplausos.

Vemos que a estratégia do premiê grego não mude. Seu único trunfo é o caos do qual detém as chaves. Esse caos tem um nome: a saída da Grécia da União Europeia. Essa chantagem em geral funciona. Os responsáveis (mais os políticos do que os técnicos), quando passa pelo horizonte a sombra do "Grexit" (a saída da Grécia) perdem a altivez, colocam água no vinho, concedem facilidades a Atenas. Mas parece que, pela primeira vez, esse "Grexit" não provoca mais medo.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, tão amável e compreensivo, declarou que "um acordo é necessário nos próximos dias". E nesse caso, olhamos para quem? Angela Merkel com certeza, que é a chefe da Europa e que num único franzir de sobrancelhas faz seus colegas dos países vizinhos se enfurnarem nos seus buracos.

Angela Merkel até agora tem lutado para evitar uma saída da Grécia.

Normal. A União Europeia é um projeto seu, o filho querido e do qual ela é a verdadeira patrona. Portanto, quer que esse belo instrumento não sofra muitos desgastes, com uma saída da Grécia. Ontem, pela primeira vez ela anunciou que se preparava para um "Grexit". A revelação foi feita pelo jornal Bild, mas logo depois a chanceler desmentiu a informação, mas é bem possível que tudo isso, a declaração feita e o desmentido posterior, seja a última tentativa de Berlim para obrigar os gregos a aceitarem as reformas exigidas pelos "credores" para salvar seus bancos.

Continuamos assim na ambiguidade: encenação, parlapatice, mentira. Como ocorre há três anos. A real diferença é que a paciência da Europa está no fim. E penetramos numa região de alto risco. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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