Sempre que a taxa de juros cai, os títulos do Tesouro Direto ficam mais caros

Gostaria de saber o que está acontecendo com os preços dos títulos do Tesouro Direto do tipo NTN-B, nos últimos meses. Entre julho e novembro, por exemplo, estes títulos valorizaram-se quase 9,5%. Qual o motivo para tal valorização? O preço destes títulos voltará a cair? Pergunto isso pois invisto mensalmente em títulos do tipo NTN-B 2035. Essa é a minha previdência privada e a cada mês meus aportes para a compra de uma mesma quantidade destes títulos estão maiores.

Fábio Gallo é professor de Finanças da FGV e da PUC-SP,

26 de dezembro de 2011 | 03h04

Existe sim um motivo técnico para isto. O valor dos títulos é calculado descontando-se o fluxo de caixa (futuro) oferecido pela aplicação (valor principal mais os rendimentos) pela taxa de juros. Assim, sempre que a taxa de juros de mercado cai, o valor presente do título fica maior. Esta é a valorização que você está verificando atualmente. Como as taxas de juros no Brasil têm caído nos últimos meses, o valor dos papéis tem se valorizado. Mas, como você já deve ter percebido, no caso de alta de juros, o desconto será maior e o título vai perder valor. A tendência atual é de queda de juros no nosso mercado, mas não dá para afirmar que até 2035 não haverá reversão e os juros subirão. Por outro lado, é importante nosso leitor compreender que, no ato da compra, o investidor tem a informação de qual será o rendimento do título até o vencimento. Em outros termos, caso no ato de aplicação o rendimento oferecido seja de 5,49% ao ano, isso significa que, caso o título seja mantido até o seu vencimento (em 2035), o investidor vai ter recebido pagamentos semestrais equivalentes (a 5,49% ao ano) ao capital investido mais a correção monetária pela variação do IPCA - no último haverá, ainda, resgate do valor principal investido.

Tenho 65 anos. Em 2011 saquei R$ 240 mil de um PGBL, dos quais foram deduzidos 15% para a compra de um imóvel. Gostaria de saber se posso fazer nova aplicação em PGBL, para usufruir da dedução de 12% e se compensa tirar do CDB para fazer essa aplicação.

A resposta objetiva é sim. Mas uma resposta mais completa dependeria da verificação de suas outras aplicações e de qual o rendimento obtido no CDB. Desde que você declare no modelo completo e tenha Imposto de Renda a pagar, usar do benefício fiscal oferecido pelo PGBL é uma boa alternativa. No entanto, deve ser observado que o depósito em PGBL, para usar do benefício tributário de 12% da renda bruta e logo a seguir realizar retirada do plano de previdência, haverá incidência tributária. Assim, o recomendável é deixar o dinheiro rendendo no plano.

Tenho 85 anos e minha esposa 75. Temos um filho que mora no exterior, casado e que tem três filhos menores. A maior parte do meu patrimônio está sendo aplicado em VGBL. Gostaria de saber o seguinte: em nosso caso, existe aplicação melhor e mais segura do que o VGBL? Qual é a segurança nesta aplicação? Qual é a melhor forma de indicar o beneficiário nesta aplicação: somente a esposa ou o filho e os netos?

Qualquer tipo de investimento tem risco, e o VGBL não é exceção, sendo que o risco de crédito de um plano de previdência é relativo à seguradora responsável pelo plano. Você deve lembrar também que por trás do VGBL há um fundo de investimentos e este pode ter maior o menor grau de risco, dependendo dos ativos constantes da carteira. Aplicações com menor grau de risco são em títulos do tesouro e na própria caderneta de poupança. Mas isso significa que você fará diretamente a gestão de seus investimentos, ao passo que um plano de previdência é um produto securitário e com gestão profissional da carteira. A decisão acerca de uma ou outra opção depende do conhecimento que você tenha sobre finanças e do tempo para se dedicar a gestão de seus investimentos. Uma das vantagens apontadas nos planos de previdência é que, em caso de morte do participante durante o período de acumulação, o montante acumulado será distribuído ao(s) beneficiário(s) de acordo com o porcentual de rateio definido no momento da contratação do plano. Caso não haja beneficiário(s) indicado(s), o montante acumulado será pago aos herdeiros legais, conforme a legislação vigente. Embora a forma de indicação dos beneficiários seja pessoal, acredito que uma maneira simples é indicar a esposa e o filho, afinal os netos são herdeiros naturais do pai.

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