Senado americano abandona acordo aprovado pela Câmara

A decisão significa que deve ser fechado um acordo bipartidário entre o governo Obama e o Congresso. Com isso, democratas esperam agilizar o processo para chegar a um compromisso aceitável para aumentar o limite de dívida

Agência Estado,

22 de julho de 2011 | 12h02

O Senado dos EUA concordou em abandonar qualquer consideração de uma proposta orçamentária republicana, potencialmente pavimentando o caminho para um acordo bipartidário entre o governo Obama e o Congresso. Os votos favoráveis para abandonar a consideração da proposta aprovada na Câmara dos Representantes no início desta semana totalizaram 51 ante 46 contrários.

Ao impedir que a proposta siga em frente, os democratas esperam agilizar o processo para chegar a um compromisso aceitável para aumentar o limite de dívida de US$ 14,29 trilhões, algo que deve ser concluído antes de 2 de agosto - dia em que o país ficará sem dinheiro para honrar suas dívidas.

O acordo bipartidário com o Congresso foi iniciado ontem pelo presidente Obama, segundo informou o New York Times. O presidente reuniu-se na noite de quarta-feira com o presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, conforme informou ontem a Casa Branca aos líderes democratas do Congresso. Ambos estariam trabalhando a ideia de um pacote para reduzir em US$ 3 trilhões a dívida americana nos próximos dez anos.

Ontem, não havia clareza sobre a iniciativa Obama-Boehner: se seria uma nova proposta - entre as outras três em curso - ou se seria uma articulação para favorecer o projeto da "Gangue dos Seis", formulado por senadores democratas e republicanos e recebido positivamente pela Casa Branca e pelo presidente da Câmara. Entretanto, as conversas teriam girado em torno de um ajuste fiscal menos profundo do que o previsto na proposta da Gangue dos Seis, de corte de US$ 3,7 trilhões na dívida pública ao longo da próxima década.

Obama e Boehner teriam discutido também alguns detalhes delicados, como uma possível reforma tributária em 2012, como meio de aumentar a arrecadação, e mudanças na Previdência Social e nos programas de assistência médica para famílias carentes, idosos e deficientes, de forma a reduzir os seus custos. Na área tributária, Obama e Boehner discutiram a possível redução de alíquotas para pessoas físicas e jurídicas, o fim de brechas para a evasão e a eliminação dos atuais benefícios para os contribuintes com renda superior a US$ 250 mil ao ano - medida aprovada por Obama em dezembro passado e, em princípio, válida até o final de 2012.

Ambos os lados negaram as conversas entre Obama e Boehner, confirmadas extraoficialmente por líderes dos dois partidos. Tanto Obama quanto Boehner temem rebeliões em suas bases no Congresso contra o acordo. Republicanos são contrários à elevação da carga tributária, sobretudo para os mais ricos, e democratas opõem-se a reduções nos benefícios dos programas sociais. Questionado sobre as negociações, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou "não haver acordo". O porta-voz de Boehner, Kevin Smith, seguiu na mesma linha.

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