Senado americano aprova reforma financeira histórica

Lei precisa ser unificada com proposta aprovada em dezembro para então seguir para a sanção do presidente Obama

AGÊNCIAS INTERNACIONAIS, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2010 | 00h00

O Senado dos Estados Unidos aprovou na noite de quinta-feira um amplo projeto de reforma de Wall Street, após meses de discussões sobre a maior mudança na regulação financeira desde os anos 30. Por 59 votos a 39, a lei do Senado precisa agora ser combinada com a proposta aprovada em dezembro pela Câmara dos Representantes. Só então o pacote final será levado para sanção do presidente Barack Obama.

Christopher Dodd, democrata autor do projeto no Senado, espera que o pacote final seja votado até 4 de julho.

As mudanças propostas em ambas as leis - feitas por parlamentares ávidos por endurecer com Wall Street antes das eleições de novembro - ameaçam restringir a indústria bancária e reduzir seus lucros nos próximos anos.

Um provável ponto de conflito nas negociações entre Senado e Câmara deve ser a proposta de restringir as operações de swap dos bancos. Obama disse que a versão final responsabilizará as empresas financeiras, mas não sufocará o livre mercado. "No ano passado, a indústria financeira tentou repetidamente interromper essa reforma com hordas de lobistas e milhões de dólares em propaganda. Hoje, acho que podemos dizer que esses esforços falharam", disse Obama.

"Nós ainda temos algum trabalho a fazer", acrescentou. "A Câmara e o Senado terão de resolver as diferenças entre os dois projetos de lei. E não há dúvida de que, durante esse tempo, a indústria financeira e seus lobistas continuarão lutando."

Menor impacto. Especialistas veem pequenas implicações para algumas empresas do setor financeiro, como companhias de seguros, fundos de hedge autônomos e fundos mútuos - em parte porque os formuladores de políticas não culpam essas instituições pela crise financeira. Os bancos devem ser os mais atingidos. Entre outras medidas que atingem essas instituições, está uma que estipula reduções nas tarifas cobradas de empresas que aceitam cartões de débito, além de uma provisão da senadora democrata Blanche Lincoln que tornará quase impossível para essas instituições manterem suas lucrativas unidades de derivativos.

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