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Senado argentino adia votação de exigência do FMI

Um dia depois de ter conseguido a vênia dos governadores para permanecer no cargo, o presidente Eduardo Duhalde sofreu uma derrota temporária no Senado. Nesta terça-feira, estava previsto que seria debatida e votada a eliminação da lei de subversão econômica, uma das exigências do Fundo Monetária Internacional (FMI). No entanto, no meio da tarde, os senadores do principal partido da oposição, a União Cívica Radical (UCR), anunciaram que não dariam o quórum necessário.Desta forma, a tentativa de realizar o debate foi adiada para amanhã (quinta-feira). A lei permite que a Justiça processe com facilidade empresários, banqueiros e funcionários públicos envolvidos em fraudes e casos de corrupção. Mas, segundo oFMI, isso causa insegurança jurídica nos investidores internacionais. A intenção de revogar desta lei está sendo impopular, pois calcula-se que seu desaparecimento aumentaria a ampla impunidade jurídica que prevalece na Argentina. O líder do bloco da UCR no Senado, Carlos Maestro, sustentou que seu partido não aceitará a revogação da lei.No fim da tarde, o partido do governo, o Justicialista (Peronista), ainda tentava convencer a UCR a realizar a sessão. Esta lei é uma das exigências que o FMI impõe para liberar a ajuda financeira para o país. Além dela, o FMI quer que os governadores das províncias assinem os acordos individuais de ajustes fiscais. De um total de 24 províncias, somente sete assinaram estes acordos. O presidente Duhalde afirma que o país possui um prazo que vence nesta semana para aprovar as medidas exigidas pelo Fundo.O governador da província de Buenos Aires, Felipe Solá, afirmou que assinará o acordo ?ao longo desta semana?. A rubrica desta província é a mais esperada, já que sozinha é responsável por quase metade do déficit fiscal provincial total. O presidente do Banco Central, Mario Blejer, está otimista. Segundo ele, o acordo com o FMI poderia ?sair até o fim de junho?. Blejer afirmou que ?nesta semana estariam prontos os pré-requisitos, e logo depois viria uma missão do FMI. Desta forma, em duas ou três semanas poderia estar pronto o acordo com o Fundo?.O presidente Duhalde sustentou que não quer ?nem sequer imaginar a hipótese? de que as medidas do Fundo não fosse cumpridas.ProtestosAlém do revés no Senado, Duhalde teve mais um dia difícil na área econômica e social, já que empresas de transporte de cargas e empresas de transporte intermunicipal realizaram manifestações contra o aumento dos combustíveis. Mais de 300 ônibus intermunicipais colocaram em colapso o trânsito no centro dacapital argentina ao circular lentamente pelas principais avenidas. Além disso, rodearam a rodoviária portenha, impedindo a entrada e saída dos ônibus. Enquanto isso, também em protesto contra o aumento dos preços dos combustíveis, fora da cidade, no interior do país, as principais estradas foram bloqueadas por agricultores. O mercado central de Buenos Aires foi cercado, e praticamente não puderam entrar mercadorias. Os produtores agropecuários, que protestam à beira das estradas, ameaçam bloquear nesta quarta-feira pontes no norte do país, e protestos nos portos ao longo do rio Paraná. Os produtores pedem que o litro do óleo diesel seja vendido a 0,75 peso, e nãoaos atuais ,140.Para complicar o cenário, diversos bancos foram atacados de madrugada ? um deles incendiado - supostamente por correntistas furiosos com o ?corralito? (semi-congelamento de depósitos bancários). O banco atingido pelo incêndio era uma sucursal do Banco Francés no bairro portenho de Villa Urquiza. Na cidade de Rosário outra sucursal do Banco Francés foi atacada por uma multidão armada com barras de ferro. Na cidade de La Plata, três caixas eletrônicos foram destruídos. Dentro do governo especula-se que nos próximos dias poderiam ocorrer sériosconfrontos com correntistas nas principais cidades do país.Nem VereadorNesta quarta-feira, Duhalde sofrerá a segunda greve geral de seusquase seis meses de governo. Desta vez, a paralisação será organizada pela Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA). A greve será realizada em protesto contra ?a fome, o desemprego e a entrega do país?.Além dos sindicatos da CTA - que possui sua força no funcionalismo público, no sistema de saúde e nas escolas públicas e privadas ? também se manifestarão estudantes, grupos de desempregados, aposentados e organizações indígenas.Hoje, com voz cansada, Duhalde declarou ontem que está na presidência do país somente para ?uma transição? e que se aposentará logo depois de deixar o cargo. ?Não serei nada, nem vereador, deputado ou senador?, disse.Leia o especial

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