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Senado argentino deve votar amanhã exigência do FMI

O governo do presidente EduardoDuhalde cruzará os dedos pela enésima vez, na esperança que oSenado aprove amanhã a revogação da lei de subversão econômica,uma das exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI) paraliberar a ajuda financeira para a Argentina.A lei permite que a Justiça processe com facilidadeempresários, banqueiros e funcionários públicos envolvidos emcasos de corrupção e fraudes. O FMI pede sua eliminação,argumentando que a lei causa "muita insegurança jurídica nosinvestidores internacionais".No início da semana o presidente Duhalde afirmou que esta é a"última semana para cumprir as medidas exigidas pelo Fundo". Aoutra medida pendente é a assinatura, por parte dos governosprovinciais, dos acordos individuais de ajuste de 60% de seusdéficits fiscais. No Parlamento o governo Duhalde dependerá do maior partido daoposição, a União Cívica Radical (UCR), sem o qual não poderáobter o quórum de dois terços necessário para o debate e avotação no Senado. A princípio, a UCR proporcionaria o quórum. A afirmação foi feita pelo líder do bloco, o senador CarlosMaestro, que explicou que permitirão os dois terços necessários,"para não causar um grave dano ao governo". No entanto,Maestro sustentou que debaterão a medida, a qual pretendem"votar em contra". A indisposição da UCR com o governo Duhalde, que pertence aoPartido Justicialista (Peronista), está aumentando a cadasemana. Em janeiro, Duhalde se tornou no primeiro peronista quechegou ao poder ajudado pelo centenário partido que oex-presidente Raúl Alfonsín comanda na categoria de "chefeespiritual", embora não formal. A aliança circunstancial entre o peronismo e a UCR foireforçada com a designação de dois ministros da UCR no gabineteDuhalde. Mas de lá para cá, foram aumentando a troca de farpasentre os dois partidos, que durante meio século disputaram àmorte o controle do país. Dentro do peronismo, diversaslideranças afirmam publicamente que a aliança deve acabar, jáque não é "útil". Na UCR também existe uma idéia similar. Muitas liderançasdesse partido consideram que continuar amarrado ao governoDuhalde, que afunda, poderá implicar em uma piora da imagem docentenário partido, já abalado pelo caótico governo doex-presidente Fernando De la Rúa (1999-2201). De la Rúa foi o último de uma linha de presidentesprovenientes da UCR que não conseguiram terminar o mandato (oúltimo foi Marcelo de Alvear, que governou entre 1922 e 1928).Mas, além da UCR, Duhalde dependerá de vários peronistas"rebeldes" que votariam contra. Alguns analistas afirmam que ogoverno corre o risco de perder por um voto. Outra das exigências do FMI é a assinatura, por parte dasprovíncias, dos acordos individuais de ajuste de 60% de seusdéficits fiscais. Do total, somente sete províncias assinaram oacordo até o momento. O resto prometeu na segunda-feira quecolocará sua rubrica no documento até este fim de semana. No entanto, já começaram os adiamentos. O governador daprovíncia de Buenos Aires, Felipe Solá, anunciou hoje que adiaráa assinatura para a semana que vem. Solá - que comanda a maiorprovíncia do país, mas também a mais endividada - explicou que"os detalhezinhos do acordo, que não são poucos" implicarão emmais tempo de análise. Desta forma, Solá somente poderia assinaro acordo na próxima terça ou quarta-feira. Enquanto isso, a figura do presidente Duhalde perdeu o poucorespeito que possuía e é motivo de piadas constantes. Durante oprograma feminino "Grandiosas", a apresentadora Laura Oliva,referindo-se à procura de salva-vidas argentinos que estáocorrendo por parte de diversas prefeituras espanholas, sugeriuao presidente: "Duhalde, vai trabalhar como salva-vidas lá naEspanha, e vê se não nos afoga mais." Em sua juventude, Duhalde ganhava um dinheiro extratrabalhando como salva-vidas em uma piscina de um clube em suacidade natal, Lomas de Zamora.Leia o especial

Agencia Estado,

29 de maio de 2002 | 20h40

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