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Senado dos EUA tenta fechar acordo sobre teto da dívida

Senadores e Câmara dos representantes querem uma votação antes do fim do prazo, em três dias.

BBC Brasil, BBC

30 de julho de 2011 | 15h32

O Senado dos Estados Unidos e a Câmara dos Representantes estão tentando realizar uma votação do plano para a elevação do teto da dívida do país.

Os líderes do Senado querem uma votação urgente para que o plano seja aprovado no domingo.

O debate ocorre um dia depois de o Senado, de maioria democrata, ter rejeitado um projeto que havia acabado de ser aprovado na Câmara dos Representantes (deputados federais), de maioria republicana.

O plano, proposto pelo presidente da Câmara, o republicano John Boehner, e aprovado por 218 votos a 210 na Casa, previa a elevação do teto da dívida dos EUA - atualmente em US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,2 trilhões) - em US$ 900 bilhões, o que permitiria o pagamento de dívidas por mais alguns meses, além de cortes orçamentários estimados em US$ 917 bilhões e mudanças constitucionais para tentar equilibrar o orçamento.

Mas os democratas dizem que o projeto forçaria o Congresso a votar em uma nova extensão do teto da dívida daqui a alguns meses - em meio à corrida eleitoral presidencial de 2012 -, em uma repetição das desgastantes discussões partidárias em curso atualmente.

O Senado e a Casa Branca tentam votar um projeto que aumenta mais o teto da dívida - em US$ 2,5 trilhões - e que promove cortes orçamentários de US$ 2,2 trilhões.

Segundo correspondentes, a melhor espectativa de evitar a moratória é se o Senado aprovar uma proposta modificada no domingo que poderá ser apresentada para a Câmara dos Representantes na segunda-feira, antes do prazo final.

Caso o impasse do teto da dívida não seja resolvido até 2 de agosto, os EUA não terão como cumprir com todas as suas obrigações financeiras, o que pode forçar uma moratória com prováveis impactos na economia mundial.

Ansiedade

Segundo o correspondente da BBC em Washington Paul Adams o Tesouro americano já está elaborando um planos de emergência no caso de um acordo não ser fechado.

Enquanto isto, a ansiedade se espalha e chega até às tropas americanas no Afeganistão, com os soldados perguntando ao chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, almirante Mike Mullen, se eles serão pagos este mês, de acordo com o correspondente da BBC.

Os líderes democratas no Senado estariam tentando um acordo com os republicanos para evitar obstáculos que poderiam atrasar a votação do Senado até segunda-feira.

O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, acusou os republicanos de de tentar atrasar os procedimentos.

"Ou eles aceitam a minha proposta, ou enfrentaremos o desastre econômico", disse.

O líder da minoria republicana, Mitch McConnell, por sua vez, acusou os democratas de tentar perturbar a oposição, mas acrescentou que espera ansiosamente pelo plano de Reid.

Apelo

O presidente americano Barack Obama pediu, neste sábado, que os líderes democratas e republicanos cheguem rapidamente a um acordo para impedir que o governo fique sem dinheiro para pagar suas dívidas.

Em seu pronunciamento semanal no rádio, Obama reafirmou que qualquer solução para evitar uma moratória deverá ser bipartidária e disse que "o tempo está acabando".

"Precisamos chegar a um acordo até a terça-feira, para que nosso país consiga pagar suas contas a tempo. Se não fizermos isso, podemos perder, pela primeira vez, a nossa nota de crédito AAA, não porque não tivemos a capacidade de pagar nossas contas. Nós temos. Mas porque não temos um sistema político de nota AAA para fazer isso."

Durante seu pronunciamento, Obama citou o e-mail que recebeu de uma dona de casa pedindo que o Congresso americano se organize.

"'Eu mantenho minha casa limpa', escreveu Kelly. 'Eu trabalho duro em um emprego de período integral e dou a meus pais todo o dinheiro que posso para que eles comprem seus remédios. Eu pago minhas contas e sou uma pessoa responsável. Eu mantenho minha casa em ordem e só estou pedindo que vocês façam o mesmo com a sua'", disse Obama. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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