Marcos Correa/PR
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Antes de sabatina de Campos Neto, senadores criticam juros altos e concentração bancária

Indicado do Planalto para comandar o Banco Central será sabatinado no dia 26; nesta terça-feira, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) fez a leitura de seu relatório sobre a indicação, na Comissão de Assuntos Econômicos

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2019 | 10h46

BRASÍLIA - O Senado iniciou nesta terça-feira, 19, os trâmites para a sabatina do economista Roberto Campos Neto, indicado do Planalto para ocupar a presidência do Banco Central (BC).

Após a leitura do relatório sobre a indicação, feita pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senadores criticaram os juros altos e a concentração bancária no Brasil. As críticas dão pistas sobre o tom da sabatina que será enfrentada por Campos Neto, no dia 26, para aprovação de seu nome na Casa.

"A sabatina será a oportunidade para que senadores discutam algumas questões que impactam o cotidiano do povo, dos trabalhadores, dos empreendedores e investidores", disse Braga. "O Brasil tem hoje uma taxa Selic que é referência para captação do funding bancário. O que não se consegue entender é como a Selic é de 6,5% ao ano e, para o consumidor, a taxa varia de 35% a 250% ao ano. Será que não é falta de concorrência?", questionou.

O presidente da CAE, senador Omar Aziz (PSD-AM), acrescentou, em referência ao spread bancário: "O Brasil só perde para Madagascar em termos do que se deposita e do que vai pegar em empréstimo".

O senador Rogério Carvalho (TP-SE) defendeu que a CAE terá "oportunidade ímpar de abrir o debate sobre a reforma do sistema bancário brasileiro". "Não é possível pessoas físicas pagarem 300% de cheque especial", pontuou. "É impossível tocar a economia com cinco grandes bancos concentrando 86% do mercado brasileiro."

Carvalho afirmou ainda que apresentou hoje um requerimento de audiência pública para iniciar um debate sobre a reforma do sistema financeiro, "para que possamos de fato colocar o sistema financeiro a serviço do Brasil".

A trajetória de Campos Neto

Braga afirmou que na segunda-feira teve reunião de uma hora e meia com Campos Neto. Em seu relatório, já disponível no sistema da CAE, o senador fez um resumo da trajetória do economista. Ele lembrou que Campos Neto, nascido em 1969, graduou-se em economia em 1993 e concluiu mestrado em 1995 - em ambos os casos, na Universidade da Califórnia. 

Além disso, o indicado por Jair Bolsonaro fez em 2017 o Programa Executivo em Liderança, oferecido pela US Military Academy at West Point, em Nova York, e o Programa Executivo em Inovação Tecnológica da Singularity University, da Califórnia.

No sistema financeiro, Campos Neto trabalhou no Bozano Simonsen como operador de derivativos de juros e câmbio, de dívida externa, de bolsa de valores e como executivo de renda fixa internacional, no período de 1996 a 1999. No Santander Brasil, o economista atuou como chefe de Renda Fixa Internacional entre 2000 e 2003 e como chefe de Trading de 2006 a 2010.

Entre 2010 e 2018, foi responsável pela Tesouraria Global para as Américas do Santander, foi membro do Conselho do Santander Investment nos EUA e membro do Conselho Executivo do banco de investimentos no Brasil e no mundo.

Campos Neto também foi gerente de carteiras da Claritas Investimentos de 2004 a 2006, membro externo do Comitê de Produtos e de Precificação da B3 no período 2017 a 2018 e, finalmente, membro do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, em 2018.

Demais indicações 

Ainda na sessão da manhã desta terça-feira da CAE, são lidos os relatórios a respeito das indicações de Bruno Serra Fernandes, indicado para a Diretoria de Política Monetária do BC, e de João Manoel Pinho de Melo, indicado para a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro. 

Haverá ainda leitura de relatório sobre indicação de Flávia Martins Sant'Anna Perlingeiro para o cargo de diretora da Comissão de Valores Imobiliários (CVM).

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